NÃO SE TRATA DA ESPADA PELA ESPADA

Esse mês uma das pessoas que acompanham nosso blog fez um comentário usando unicamente de versículos do evangelho. Achando-o muito válido, exatamente por trazer um trecho da palavra de Deus, fazemos questão de trazer esse debate para uma publicação formal.
O trecho postado no comentário foi o seguinte:
“Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;
Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.”

Mateus 10:34-38
A postagem em que está o comentário em questão é “O ÓDIO AOS PAIS”, da qual eu deixo o link aqui:

https://exae.com.br/2019/03/01/o-odio-aos-pais/#comments

Antes de qualquer coisa é preciso analisar o contexto da passagem do Evangelho. Jesus diz essas palavras quando chama os seus apóstolos e confere a eles a missão de levar a paz e o nome de Jesus às ovelhas perdidas de Israel. Aqui Jesus diz que não será fácil, que os apóstolos serão perseguidos e mandados ao júri de reis e governadores, que irão açoitá-los e condená-los à morte. Diz que tenham coragem, pois o nome de Jesus causa incômodo aos que não se alinham com os mandamentos de Deus. Diz ainda que nada que está obscuro assim fica para sempre, tudo vem à luz em algum momento. Diz que não devem negar Jesus, nem por sua própria família, nem por ninguém, pois quem negar a Jesus diante dos homens, será negado por ele diante do Pai.
O trecho solto assim faz parecer que Jesus manda odiar aos pais, o que condiz com a realidade. A guerra de que Jesus fala aqui é da cruz que quem não nega a verdade carrega, pois, o nome de Jesus, em um mundo de hipocrisia, traz perseguição aos pregadores da verdade.
Em relação a essa segunda parte, “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”. Aqui Jesus fala sobre aceitar as cruzes que a vida dá, da entrega a ele, do segui-lo. Caiba relembrar que seguir Jesus e abraçar a cruz não é somente em relação a vida religiosa, por que todos somos chamados a seguir Jesus todos os dias, cumprindo seus mandamentos e aceitando os sofrimentos que ele dá, sejam doenças, dificuldades financeiras, provações de fé, ou inclusive saudades de um filho que se torna religioso, mas principalmente de aceitar a verdade e leva-la às ovelhas perdidas, por mais dura que seja essa jornada.
Vamos um pouco mais a fundo. Nesse trecho Jesus não diz que para abraçar a cruz e amá-lo é preciso odiar os pais e desrespeitá-los, Ele apenas estabelece prioridades, Deus em primeiro lugar, não é mesmo? Até porque seria bastante contraditório o próprio Deus desmentir as Leis que estabeleceu para os homens, haja vista que, no quarto mandamento consta “Honrar pai e mãe”. É necessário que fique claro que o ódio não é pré-requisito do amor a Deus, o que não pode acontecer é deixar abalar-se a Fé por outras pessoas, sejam quem forem.
A grande questão é que, justificar o ódio que ensinam às crianças dentro dos Arautos com esse trecho do evangelho nada mais é do que retirar a palavra de Deus do contexto para consolidar um erro, que inclusive, vai contra os dez mandamentos.
Explorado um pouco o trecho, vamos ver um pouco do trabalho desse blog. Procuramos por meio deste relatar as experiências das famílias de e ex e atuais auratos e próprios ex-arautos, com essa instituição, com o intuito dar voz às situações que há anos permanecem no silêncio da negligência. As queixas aqui deixadas em momento nenhum diz respeito à opção de seguir vida religiosa das pessoas que ingressam nessa entidade, a crítica está voltada aos diversos crimes cometidos lá dentro, dos quais , diante do trecho aqui proposto, dou destaque ao de alienação parental, já que dificultam o contato dos pais com os seus filhos, não repassam ligações, violam o segredo de correspondência e sobretudo, incitam crianças de 6 anos a odiarem seus pais.
Deve ser de comum compreensão que alguém que incita o ódio não está seguindo os passos de Jesus, quem teve toda a sua vida dedicada ao amor, e principalmente que usar do trecho aqui discutido para justificar essa má atitude é no mínimo hipocrisia. Diante disso, coloco aqui o questionamento, ser um Arauto, que despreza a própria família e incentiva crianças a reproduzirem o seu ódio, é de fato amar a Deus sobre todas as coisas e abraçar uma cruz designada por Deus? É essa a guerra que Jesus veio trazer em nome da Verdade? Não parece contraditório dizer que algo que vai totalmente contra o que Jesus pregou seja amar a Deus antes de qualquer outra coisa, ou seja a Verdade que traz perseguição aos escolhidos de Jesus? Ao meu ver, amar a Deus sobre todas as coisas e levar a verdade às ovelhas desgarradas é reproduzir amor ao próximo e cumprir os seus mandamentos, dos quais vale ressaltar agora o 4°.
Ainda nesse mesmo sentido, é preciso ponderar a qualidade da ingressão nos Arautos do Evangelho enquanto uma forma de amar a Jesus mais do que a tudo e não negar a verdade. Relembremos o que aqui já foi discorrido a respeito dos ensinamentos internos dessa instituição: depois de já conquistados jovem e família, começam uma doutrinação de ódio aos pais, ódio a todos que não são Arautos, de luxo dentro do voto de pobreza e muitos outros pontos que não estão de acordo com a doutrina da Igreja. E sobretudo, entre as ideias impostas às crianças, tiram o título de “Caminho, Verdade e Vida” de Jesus e conferem-no à trindade Plínio, Lucília e João Clá. Como chamar justificar o ódio aos pais como amor a Jesus se lá dentro quem de fato amam são pessoas que nem canonizadas são e o nome de Jesus praticamente não é pronunciado? Como dizer que não negam a Jesus, se substituem o nome de Maria e seu Filho por Lucília e Plínio nas orações?
Ninguém aqui neste blog busca apartar as pessoas do caminho de Deus, pelo contrário, lutamos para que os lobos não passem por carneiros usando o nome da Igreja e de Jesus para propagar o ódio e o sofrimento.
Diante disso, temos que repensar as posições desse combate ideológico. Aqui, por meio de relatos, as pessoas têm a oportunidade de relatar suas experiências de forma respeitosa e todos mostram-se dispostos a tirar qualquer dúvida que possa surgir; não escondemos os comentários negativos. Da parte dos Arautos vemos poucas ou nenhuma explicação, segredos que não podem ser revelados e comentários opositores apagados. Se a questão aqui é a perseguição devido a pregação da verdade, como trabalhar com bases verdadeiras sem transparência do que de fato acontece dentro das muralhas de pedras dos castelos dos Arautos? Será que nessa situação a guerra deve ser mesmo contra a família?

CADA UM POR SI E OS ARAUTOS POR QUEM CONVÉM

A caridade e o amor ao próximo, sem olhar a quem, são a essência da beleza da vida religiosa. A Santas Casas de Misericórdia e os orfanatos católicos são exemplos de grandes marcos que essas instituições deixam até hoje na sociedade.
Mas como funciona a caridade a o amor ao próximo nos Arautos do Evangelho? Negar sacramentos e assistência espiritual a um moribundo? Deixemos uma mãe contar um pouco da experiência dela com esse grupo.

ERA TUDO IGUAL…

A saudade já estava apertando de novo então sempre que podia eu ficava procurando meu filho nas fotos, em todas as redes sociais, nas missas que eram transmitidas ao vivo, nos vídeos, pedia para as outras mães tirarem foto, era como um acordo tirávamos foto até escondidas para mandar umas para as outras.
Criamos carinho pelas outras crianças que vão embora com nossos filhos, mas nem sempre eles ficam juntos, sempre ocupados e resistentes em tirar foto ou ouvir o recado que a mãe tinha mandado. E foi ali, procurando de rosto em rosto, todos idênticos que um *“Salve Maria”* me salvou.
A Maria que me procurou era completamente diferente de mim:
*É uma senhora, eu jovem;
*É casada há mais de 20 anos, eu solteira;
*Ela tem uma menina, eu tenho um menino;
*Ela muito religiosa e frequentadora assídua das missas, eu confesso que não tenho esse hábito;
As nossas diferenças eram inúmeras, ela mora longe, vive outro ritmo, tinha outra história, até que começamos a falar sobre o que nos unia. A suposta vocação de nossos filhos!
Eu passei anos me convencendo que aquele palácio era o melhor lugar para ele, quando alguém me perguntava eu sempre respondia que estava bem, feliz e entusiasmado. Mas eu não estava! Cada dia meu filho ia ficando mais distante, eu olhava dentro dos olhos dele e perguntava: “Você quer voltar pra casa?” E a resposta era sempre: “Não mãe, eu estou feliz aqui!” Combinamos até uma palavra secreta, um código que se ele falasse eu iria buscá-lo.
Maria me falou que com a filha era igual, me disse que a menina não queria mais saber da irmã, não queria saber sobre nada relacionado à família, achava ela petulante, era difícil ouvir aquilo, mas eu apenas concordava, parecia com o que estava acontecendo comigo.
Quando acharam nossos filhos, não jogados, mas ali dentro da escola, no início era tão bom, era como um presente, me senti escolhida… Maria me falou que ela também!
Víamos como os outros tratavam as mães e sempre falávamos: “Olha, se você me tratar assim eu te tiro daqui…” mas com a gente era exatamente igual. Tentei até negar, pensava que com o meu não seria assim, e foi! Ele foi embora no susto, mal deu tempo de preparar a roupa, ele foi ligando cada vez menos, eu achei que era por ele ser especial, ele sempre foi destaque lá, mas a filha da Maria também era. Ela tinha tanta função, igual o meu menino.
O meu pediu um canivete, a menina era tão doce por que queria um também? Ela vivia doente e a mãe só sabia depois, o meu também não me contava. Quando o meu filho começou a adorar o João Clá e andar o tempo inteiro com fotos, medalhas e tudo relacionado à ele, pensei que era o pouco contato com o pai… Mas a menina o chamava papito, mesmo sendo criada com o pai tão presente.
Lucília tinha se tornado uma espécie de mãe na vida dele, Maria e eu já não significávamos mais nada! Ele ligava e acaba coincidindo com pedidos de dinheiro, material ou algo do tipo. A gente não brigava pois os 10, 20 min que passávamos ao telefone eram tão preciosos que não valia a pena. Maria me contava que ligava lá e pedia para chamar a menina dela, ficava por 10 min aguardando, ela aproveitava e fechava os olhos, ouvia a risada das meninas, as botas batendo, por alguns minutos ela estava perto da filha. Mas nunca dava certo então deixava recado pra menina retornar.
Ela me contou que a vocação não era mais um escolha de *Maria Mãe de Deus* e sim de João Clá, de quem eu não sei quem é filho. Eu comecei a me assustar e mesmo sem que ele falasse abertamente e ouvi o pedido de socorro e fui buscá-lo, com auxílio de Maria.
As coisas depois que ele chegou foram acontecendo exatamente como ela disse que aconteceria, a revolta nos primeiros dias, as medalhas, fotos e orações para três pessoas que eu nem sei quem eram. Aquela mulher parecia conhecer mais o meu filho que eu mesma, ela me dizia que ele iria confessar que mentiu, me faltou o chão! Ele disse que eu era a pior mãe do mundo, mas com a Maria foi horrível… a menina dela desejou que ela morresse! Não eram mais os nossos filhos ali, apenas um corpo magro e pálido.
Era tudo igual, até que o tempo vai passando e você entende que esse processo não tem nada a ver com o que você é, tem com o que eles foram transformados e doutrinados a ser. TODOS vão acordar dessa hipnose e nós, AS MARIAS, teremos nossos filhos de volta.

“ARAUTOS, A DOUTRINA SECRETA: CORREA INCENTIVA A MORTE DO PAPA.”

VATICANO – INFORMA A IMPRENSA

Publicado EM 14/06/2017

FONTE DO ARTIGO https://www.lastampa.it/2017/06/14/vaticaninsider/araldi-la-dottrina-segreta-plinio-correa-incentiva-la-morte-del-papa-5dJEtr0kS7YO5ej2GmvQCP/pagina.html

ANDREA TORNIELLI 

Um vídeo mostra o monsenhor João Clá, superior renunciante da associação a qual o Vaticano investiga, enquanto dá crédito a teorias perturbadoras reveladas por um suposto demônio. Exaltação semi-divina do fundador da TFP e sua mãe.

João Scognamiglio Clá Dias

Plinio Correa de Oliveira que desde a vida após a morte, sentado ao lado da Madonna, determina as mudanças climáticas e trabalha duro para fazer com que o Papa Francisco morra em breve. Estes são absurdos confirmados pelos líderes dos Arautos do Evangelho. Que a origem da decisão do Vaticano para realizar um estudo detalhado sobre Arautos havia mais de sólidas razões era óbvio para muitos, mas para aqueles que imediatamente tentou desviar enquadrar a decisão da Congregação para os Religiosos em uma agressiva inexistente para a realidade Igrejas mais tradicionais e conservadoras. Em 12 de Junho, foi feita uma carta pública na qual ele renunciou, Monsenhor João Scognamiglio Clá Dias, 77, fundador e superior geral da Sociedade clerical de vida apostólica “Virgo Flos Carmeli e presidente Particular de fiéis” Arautos do Evangelho, o primeiro nascido e aprovado no novo milênio. Monsenhor Clá não faz referência à profunda investigação que o dicastério vaticano, liderado pelo cardeal brasileiro João Braz de Aviz, iniciou. Mas a coincidência temporal é bastante eloquente.

O culto de Correa.

Entre as razões para a pesquisa é o que o sociólogo Massimo Introvigne chama de “uma espécie de culto secreto e extravagante em uma espécie de trindade de Plinio Corrêa de Oliveira, de sua mãe Donna Lucilia, e Monsenhor Clá Dias”. O brasileiro Correa de Oliveira, chamado de “Dr. Plinio”, que morreu em 1995, era um católico tradicionalista pensador, direita, contra-revolucionário, autor e fundador da TFP (Tradição, Família e Propriedade), que após a sua a morte se rompeu e os Arautos do Evangelho nasceram de um de seus ramos. Deste culto secreto, que segundo alguns teria ido muito além do culto da personalidade, havia escrito vários fugitivos

O diabo confirma a doutrina ocultista.

Agora, para complicar as coisas estão alguns vídeos recém-gravados, que mostram não só que o fundador dos Arautos, Scognamiglio Clá Dias, e os seus sacerdotes, eles usam rituais de exorcismo que são fabricados a partir deles, acreditando ineficazes da Igreja Católica aprovados pela Santa Sé. Mas mostra também a confirmação do culto bizarro do “Dr. Plinio” e sua mãe, Lucilia, e o fato de que o agora ex-superiores dos Arautos, convencendo seus sacerdotes para fazer o mesmo, dá credibilidade a teorias delirantes. Quem é a fonte desses pseudo-revelações: o próprio diabo, durante um dos exorcismos freqüentes que os padres celebram Arautos do Evangelho através de fórmulas que não têm aprovação eclesiástica. Para provar, é um vídeo que pode ser visto aqui (Retirado do ar). No filme – certamente não “roubada”, dada a estabilidade de imagem e o fato de que no início há um rastreamento que mostra toda a sala – você vê o fundador dos Arautos Scognamiglio Clá Dias, enquanto fala com cerca de sessenta dos seus sacerdotes. O vídeo é filmado durante uma recente viagem papal e é certamente posterior a fevereiro de 2016, porque um dos oradores mencionou a peregrinação de Francesco ao México. O monsenhor Clá extraiu um pacote contendo a transcrição das perguntas e respostas e entregou-o ao padre Beccari, que o lê de pé ao seu lado. Este é o diálogo entre um padre e o diabo durante um exorcismo. O conteúdo desses delírios é lido sem que o superior ou o presente se opusessem a algo. Na verdade, tudo é endossado e também entende, como uma questão do sacerdote, ao diabo, que todas as perguntas são feitas “por ordem do monsenhor Clá” e servir “apenas para confirmar” o que os Arautos já acreditam.

Para “Dr. Plinio” todo o poder sobre o mundo

O padre pratica exorcismo na pessoa possuída, nunca nomeada, com a fórmula: “A maldição do Monsenhor João cai sobre a sua cabeça!” O diabo revela que “Nossa Senhora está trabalhando porque os membros do grupo (dos Arautos) comprometem-se a servir o monsenhor João, renunciando a sua vontade de fazer o mesmo de monsenhor”. Plinio Correa “está sentado à direita da Virgem, também sentado em um trono e tem todo o poder. Donna Lucilia está à sua esquerda, só um pouco mais abaixo e colabora em tudo o que seu filho Plinio constrói ”. Plinio Correa detém “controle sobre o mundo porque ele é a ordem do universo”. Todos os sacerdotes presentes comentam entusiasticamente: “Fenomenal! Impressionante”, enquanto o monsenhor fundador acena confirmando. Além disso, o diabo revela que Donna Lucilia costuma conversar com a vida após a morte com o monsenhor João, que também concorda com isso.

Plinio Correa causa a mudança climática

Durante o exorcismo o suposto demônio, agradado pela curiosidade do padre que faz perguntas em nome do Monsenhor João, faz várias “revelações”. Dizem que “Plínio está quebrando os computadores das pessoas porque elas não entram na Internet”. Além disso, Correa de Oliveira, de seu trono sentado à direita da Virgem Maria, também está “mudando o clima”. Ele seria, portanto, o autor de “mudança climática, de aumento de calor. É Plínio quem faz tudo “assegura o diabo exorcizado. Isso adverte: «Um meteorito cairá no mar antes que os Estados Unidos, o Atlântico e a América do Norte desapareçam». O monsenhor João ouve satisfeito.

O papa? Um servo meu. Rodé o sucessor

A aprovação mais entusiasta do Monsenhor João e de sua audiência fascinada de padres surge quando o suposto demônio fala do papa atual. “O Vaticano? É meu, é meu! (O papa) faz tudo que eu quero, é idiota! Todos riem satisfeitos e assentem. “Ele me obedece em tudo – o diabo continua – é a minha glória, ele está disposto a fazer tudo por mim. Ele me serve. Apenas para confirmar a autoridade da fonte e, portanto, das pseudo-revelações, Monsenhor João comenta: “Este é o demônio mais capaz que já apareceu entre nós”. A diversão dos sacerdotes do Evangelho Arautos continua quando o demônio exorcizado explica que “o Papa vai morrer caindo”, mas, no Vaticano, não durante uma viagem, como eles esperam os presentes, já que na época Francis foi envolvido em uma de suas peregrinações. O diabo explica que “Dr. Plinio está encorajando a morte do Papa”, isto é, ele tenta encurtar sua vida. Diz-se também que “o próximo Papa será bom” e que o diabo está trabalhando para “matar o homem a quem Deus chama, Cardeal Rodé, o próximo Papa”. O cardeal esloveno Franc Rodé, ex-prefeito da Congregação para os Religiosos, é considerado um amigo pelos Arautos do Evangelho. Finalmente, também é dito que o diabo não tem poder sobre os Arautos do Evangelho, porque eles são consagrados a Plinio Corrêa de Oliveira: “Os planos dependem de Deus e Dr. Plínio.”

As palavras de um verdadeiro exorcista

Você não precisa de comentários sobre o que vê e é indicado no vídeo em questão. Vale a pena lembrar, no entanto, as palavras de um verdadeiro grande exorcista, padre Gabriele Amorth, que propôs “revelações” durante os rituais: “As respostas do diabo devem então ser examinadas. Às vezes o Senhor exige que o diabo diga a verdade, mostre que Satanás foi derrotado por Cristo e também é forçado a obedecer aos seguidores de Cristo que agem em seu nome. Muitas vezes o maligno afirma expressamente que ele é forçado a falar, o que ele faz de tudo para evitar. Ai, no entanto, se o exorcista se perder por trás de perguntas curiosas (que o Ritual explicitamente proíbe) ou se ele se deixar guiar em um argumento do diabo! Precisamente porque ele é um mestre das mentiras!

ARAUTOS DO EVANGELHO – UM MOVIMENTO SECTÁRIO

Um dos grandes dilemas que enfrenta o fenômeno religioso nos dias atuais é o surgimento de setores sectários dentro das próprias tradições religiosas mais consolidadas, como o islamismo e mesmo o catolicismo,
Num primeiro momento pode soar estranho essa categoria genérica de seita ser atribuída a movimentos como os radicais islâmicos e ao mesmo tempo aos Arautos do Evangelho, por exemplo. Por isso é preciso antes de mais nada dar uma definição que toque não somente no entendimento teológico do que é uma seita segundo a doutrina católica, a qual os Arautos se filiam, mas também um conceito sociológico, mais amplo.
Recentemente foi lançado na França e no Canadá um denso estudo baseado na experiência de ex membros de movimentos eclesiais católicos sectários. O livro comporta não apenas os relatos de suas vivências nesses ambientes radicalizados, mas também apreciações de sacerdotes e estudiosos do fenômeno sectário na contemporaneidade. “De l’emprise à la liberté: dérives sectaires au sein de l’Église” já nasce como uma obra de referência no tema.
Uma conceituação segundo a forma da teologia católica vai nos dizer que seita é tudo aquilo que foge dos rumos da ortodoxia, isto é, da doutrina pré-definida e aceita pela Igreja. É uma separação, uma dissidência, ainda que com louváveis intenções de se manterem fiéis à originalidade da doutrina cristã. Os montanistas no começo da Igreja, chegaram a seduzir até mesmo o grande Tertuliano e os Cátaros, já na Idade Média, buscavam uma tal pureza doutrinária que se afastaram da ortodoxia católica.
Já do ponto de vista sociológico, há certos elementos que são caracterizadores de um movimento sectário. Para o Centre de Documentation, d’Éducation et d’action contre les Manipulation Mentales – CCMM, órgão francês responsável por identificar os movimentos sectários naquele país, as características principais das seitas são seus “métodos e ações que atacam a liberdade e a dignidade humanas, destruindo o indivíduo, a família e a sociedade.”
Para os autores do livro canadense, os sinais de que uma comunidade religiosa vive uma experiência sectária são:

1) Culto ao fundador – no caso dos Arautos, ponto central de toda a espiritualidade do movimento
2) As rupturas familiares, de amizade, social, eclesial, de informações e até sanitária.
3) Culto da culpa e do sofrimento
4) Vocabulário próprio ao grupo – também no caso aráutico é bem perceptível o uso de gírias internas visando dificultar a comunicação com elementos exteriores à seita.
5) Multiplicidade de devoções. Aqui encaixa-se, segundo os autores, o frequente recurso aos exorcismos, como os denunciados em vídeo no ano de 2016
6) Votos particulares – como no caso da Sempre-Viva, onde os arautos se consagram escravos do fundador.
7) Recrutamento vocacional
8) Enganos e dissimulações
9) autoritarismo e submissão dos membros
10) Todo questionamento como vindo do mal
11) Humilhação e culpabilização
12) Incoerência de vida, sobretudo na vida “extraordinária” do chefe

Todos esses elementos apontam para uma preocupante ascensão de movimentos que buscam a radicalidade na direção inversa da que assume a Igreja na contemporaneidade, sobretudo não reconhecendo o caráter misericordioso que o papa Francisco reiteradamente acena. Não sem razão, muitos deles são críticos ferrenhos do atual papa, como os próprios Arautos, que em vídeo divulgado no ano de 2016, manifestam desejo pela imediata morte do papa.
Ainda quando os membros dos Arautos do Evangelho integravam a Sociedade de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFP, passado que buscam reiteradamente ocultar, eles foram catalogados pelo órgão do governo francês responsável pela identificação das seitas destrutivas como um movimento sectário, o que os levou inclusive a publicar um livro em sua defesa: “A Nova “Inquisição” Ateia e Psiquiátrica”, no ano de 1996, visando afastar de si a pecha sectária.
Um relatório parlamentar de inquérito feito em 1995, na França, catalogou 173 movimentos situados na direção sectária dos movimentos religiosos, apontando uma preocupação estatal pelos efeitos deletérios que estes movimentos vinham causando na população francesa.
A TFP ganhou ali espaço, pelas práticas exóticas de culto, de recrutamento e de vida interna que ainda hoje permanecem nos Arautos do Evangelho, acusados sobretudo de lavagem cerebral em seus membros.
Os movimentos sectários fazem parte das grandes provas pelas quais passa o catolicismo nos dias atuais.
Muitas vezes, levados por um são desejo de santificação radical e de aproximação de Cristo, as pessoas deixam-se seduzir por movimentos eclesiais que na aparência católicos, internamente são fundamentalistas ou mesmo desvirtuam os princípios do catolicismo, adequando-os à sua realidade interna, para favorecer ao seu movimento.
É preciso não apenas buscar resgatar as vítimas desses movimentos sectários que tanto mal fazem à Igreja, mas alertar aos que tem a justa ambição da santificação que fiquem atentos aos sinais que esses movimentos sectários deixam transparecer de suas reais intenções.

PARASITAS NA IGREJA

A primeira vez em que tive contato com os Arautos do Evangelho foi no domingo de ramos de 2017. A convite de alguns amigos, insisti para que minha família me acompanhasse naquela Missa, que, mal sabia, seria a primeira de muitas.
De cara, notei a diferença em relação à Paróquia em que frequentava: músicas cantadas em latim, durante a liturgia, que, mais tarde, descobri se tratar do antiquíssimo canto gregoriano; crucifixos e imagens de Nossa Senhora no presbitério; comunhão distribuída de joelhos e diretamente na boca; filas longas no confessionário; sermões levados à exortação, nos quais, reparei depois, muito se falava de um tal de Plinio, filho de Lucília e de um tal outro Monsenhor João Clá, o fundador…
O aparente zelo com a religião encantou. Percebi que aquele entusiasmo era compartilhado por quase todos que lá conhecia e, contagiada, passei domingos atrás de domingos indo nas Missas da sede.
Numa dessas tardes tranquilas, após cerca de um ano em que lá frequentava, fui convidada para um retiro de silêncio para mulheres. A terciária da ordem me garantiu: “vai ser fenomenal!”. E, de fato, comecei a notar alguns “fenômenos” (no mínimo) estranhos… O primeiro deles foi o fato de o pregador do retiro, um Arauto eremita já senhor de idade, só ter falado da vida cotidiana na Ordem Segunda, ramo feminino dos Arautos, apesar de ter nos assegurado que se baseava nos exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola. Vai ver Santo Inácio também previu o tal Reino de Maria, pensava comigo… Desses relatos em que não faltaram elogios aos inúmeros exemplos de suposta bravura e santidade das Irmãs, nasceram, em algumas participantes (descobri mais tarde), dúvidas a respeito de sua vocação, ainda que já estivessem noivas (!). Claro, como preterir toda aquela beleza sacral?!
Muito pitoresco, também, foi quando o pregador apresentou os vídeos das supostas lacrimações que ocorreram nas imagens das Casas dos Arautos do Evangelho de diferentes países. Como me esquecer de “ah, mas a ‘Igreja’?! A ‘Igreja’ está ‘analisando’ as lágrimas”. João Clá quer, segundo ele, divulgar os fatos “custe o que custar”, sem esperar o parecer da Igreja, pois “estava cansado de silêncio e omissão”. Era fácil concluir que fora daquela “ordem religiosa” não havia verdadeira Igreja…
No último dia, foram muitos “flashes”. Descobri, boquiaberta, que, no fim dos tempos, a América do Norte seria submersa devido à queda de um meteoro no oceano; que, em 2017, centenário de Fátima, João Clá esperava a vinda desse meteoro ou algo semelhante; que tal esperança se baseava em estudos feitos sobre um planeta chamado “Hercólubus”; que havia um lugar chamado “trans-esfera” onde os seres espirituais relacionavam-se e as expiações eram feitas para reparar os ataques do demônio e os pecados e, ainda, que lá Deus conversou com o demônio na passagem do Livro de Jó.
Ufa! Quantas profecias! Como Santo Inácio nunca tinha pensado nisso antes?! As intrigas não pararam por aí. Ainda não sei como o pregador sabia de coisas que eu só tinha falado para o Padre em confissão… Ah, deixa para lá. Deve ser por causa da santidade deles que são capazes de ver até o estado de alma das pessoas… já é certo que Mons. João tem esse dom. Tanto é que os Padres de lá me recomendaram insistentemente escrever uma carta ao ilustre-arqui-eremita-fundador com uma foto minha, perguntando de minha vocação. “Ele vê tudo!”, eles me disseram.
Muitos fenomenais depois e cada vez mais inconsciente, estava resolvida: na próxima semana, estaria no Congresso da OII para confirmar minha (“que flash!”) vocação. Acompanhada de mais ou menos 700 crianças, de, no máximo, 12 anos, vivenciei um ambiente totalmente hipnótico. Dormíamos cerca de 6 horas (ou menos) por noite e não passávamos um minuto do dia sem atividades (ou melhor, teatros estrelados pelas próprias eremitas, em que se enalteciam as virtudes “heroicas” e “sublimes” de dona Lucília). Ah, sim… o tema do Congresso era dona Lucília. E ai das congressistas que não ostentassem o devido trato “luciliano” umas com as outras! Os Padres faziam questão de no-lo lembrar, nos seus ditos sermões.
Por todos os lados, via “escravas” (como as Irmãs se autodenominam) de Portugal, do Canadá e até do Vietnã respirando, dia e noite, os fundadores, ou melhor dizendo, “Senhor Doutor Plinio”, “Senhora Dona Lucília” e “Papito” (o pai João – ou seria Papa?! – das eremitas). Com não muita dificuldade se via que a “Rainha do jeitinho” já não se invocava mais só em terras brasileiras… Uma das coisas que mais me exigia empenho era arrumar um tempo livre em que pudesse telefonar para minha mãe. Para onde quer que eu olhasse, percebia-me cercada de escravas (escravidão a Nossa Senhora ou a dona Lucília?!), e a privacidade parecia não existir. Com o passar dos dias, reparei que outras meninas também sofriam desses mesmos “fenômenos”… aos prantos, vieram me pedir o celular emprestado para que pudessem ligar a seus pais.
Já dá para imaginar que o luxo portentoso dos recintos (mesas de mármore de mais de dez metros; vitrais finíssimos etc.), bem como a culinária pomposa que nos era servida (ficar sem sobremesa, nunca!) não compensavam as cenas um tanto quanto inusitadas a que éramos obrigadas a assistir, como quando vários anjos, no Céu, de vestes muito bordadas e brilhantes, cantaram em estilo polifônico várias vezes a palavra “Lucília”, erguendo os braços em louvor (fenomenal!!! Como não aclamar aquela senhora que tinha a “alma imaculada” – conforme disseram –, não é mesmo?!).
No geral, assistíamos a duas Missas por dia, uma pela manhã, rezada por “Papito” em Lumen Prophetae, e outra às 19h. Lá pelo terceiro dia, decidi me confessar durante a Missa da manhã. Depois de algumas exortações ao aprofundamento da intimidade com os fundadores, como ver mais vídeos na “TvArautos” (será que assim eu me conectaria com eles na trans-esfera?!), eu só não esperava que o Padre me passaria, como penitência, uma oração que “Nosso Pai e Senhor” (como chamam Plinio) havia feito para dona Lucília, sua própria mãe, conhecida por oração da restauração… e eu pensando que se tratava de Nossa Senhora na prece!
A palavra “seita” tem origem no latim “secta” e significa cortada, separada, segregada. Trata-se de um grupo religioso que segue uma doutrina própria e peculiar. Sendo a Igreja de Cristo a única verdadeira, isto é, a Santa Igreja Católica Apostólica Romana fundada sobre São Pedro, não há nela espaço para seitas, tendo em vista a unicidade de doutrina e de governo pelo Papado que não pode com elas coexistir.
Os Arautos do Evangelho, sectários que são, bem o sabem: têm não só uma doutrina (delirante) própria, como também um papa (isso mesmo!), o mestre-sacral- insubstituível-fundador João Clá. E não falo somente do fato de o chamarem de “Papito”… em todas as Missas a que no Congresso assisti, simplesmente se omitiu, na oração eucarística pela Igreja, o nome do Papa Francisco! Como se ele não existisse ou não fosse o nosso verdadeiro Papa! Não te parece um ato cismático?!
Voltei, enfim, para casa, mas os absurdos não saíam da minha cabeça. Ainda me lembro do último jantar que lá tive. Ao final, as Irmãs distribuíram medalhas com fotos das imagens que (supostamente) lacrimejaram nas sedes dos Arautos. Ao ver que se tratava de uma foto de Nossa Senhora, uma congressista, de cerca de 10 anos, disse “ah… queria uma medalha de dona Lucília!”.
Como podem fanatizar tantas crianças?!
Como podem arrastar para a condenação tantas almas?!
Como podem destruir tantas famílias?!
Como podem?!
Até quando?!
Parasitas na Santa Madre Igreja, eles escandalizam os fiéis e os infiéis. Quanto mais se parecem verdadeiros baluartes da Tradição, mais enganam. Assim, a maioria dos membros da Igreja que descobrem suas heterodoxias e problemas morais, acabam por pegar, lamentavelmente, aversão até às poucas coisas que essa entidade parasitária afanou do catolicismo, como a devoção à Nossa Senhora e ao terço, a comunhão na boca, a frequência na confissão, o canto gregoriano. Tudo isso propiciado pela carência de formação verdadeiramente católica nas catequeses por aí… de tal modo que muitos perdem a Fé depois de lá saírem. Por outro lado, diante desse escândalo, os pagãos sentem-se à vontade para fazer o que mais sabem, difamar a Santa Igreja e, dessa forma, aniquila-se cada vez mais qualquer possibilidade de se converterem…
Malditos!
Nunca mais ponho os pés naquela seita.
É evidente, sobretudo, que Deus nos permitiu passar tamanho tempo naquele lugar para a maior glória dEle, para servimos de instrumento de Suas mãos na batalha pela Santa Madre Igreja, implorando a graça de perseverar até o fim, “3.Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. 4.Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas.” II Timóteo, 4. E esse tempo é agora.
Católica, estudante e ex-frequentadora dos Arautos do Evangelho.
Apêndice: Oração da Restauração
Há momentos, minha Mãe, em que minha alma se sente, no que tem de mais fundo, tocada por uma saudade indizível. Tenho saudades da época em que eu Vos amava, e Vós me amáveis, na atmosfera primaveril de minha vida espiritual. Tenho saudades de Vós, Senhora, e do paraíso que punha em mim a grande comunicação que eu tinha convosco. Não tendes também Vós, Senhora, saudades desse tempo? Não tendes saudades da bondade que havia naquele filho que fui?
Vinde, pois, ó melhor de todas as mães, e por amor ao que desabrochava em mim, restaurai-me: recomponde em mim o amor a Vós, e fazei de mim a plena realização daquele filho sem mancha que eu teria sido, se não fosse tanta miséria. Dai-me, ó Mãe, um coração arrependido e humilhado, e fazei luzir novamente aos meus olhos aquilo que, pelo esplendor de vossa graça, eu começara a amar tanto e tanto!…
Lembrai-vos, Senhora, deste David e de toda a doçura que nele púnheis.
Assim seja!

MÉTODOS DE CAPTAÇÃO

Existem, basicamente, três passos para se conseguir o controle mental de uma pessoa: descongelamento, mudança e congelamento.
Esses passos foram estudados por Kurt Lewin ao final dos anos quarenta e depois descritos no livro de Edgar Schein, chamado Coercive Persuasion (Persuação coercitiva). Schein estudou os programas de lavagem de cérebro na China comunista de Mao Tse-Dong.
O descongelamento consiste em destruir as defesas do indivíduo.
A mudança é o processo de doutrinamento.
O congelamento é o processo de formação e reforço da nova identidade.
As seitas destrutivas atuais contam com a vantagem de trinta anos de investigações e técnicas psicológicas desenvolvidas desde os tempos de Mao. É por isso que os programas de controle mental são muito mais efetivos e perigosos.
Os processos hipnóticos, por exemplo, adquiriram muito mais importância no moderno controle mental.
O descongelamento
Para predispor uma pessoa a uma mudança radical, a primeira coisa a se fazer é perturbar a sua realidade. Os seus doutrinadores devem desorientá-la. Os seus quadros de referência para compreender-se a si mesma e o seu ambiente devem ser questionados e destruídos (família, amigos, trabalho, desejos…). Mudar a sua visão da realidade vai derrubar as suas defesas naturais contra conceitos que desafiam a sua realidade.
Há muitos métodos de descongelamento. Privar uma pessoa do sono é uma das técnicas mais comuns e mais eficazes para quebrar a sua resistência. Normalmente, nesses grupos, o membro conta com poucas horas de sono diárias .
Além disso, a mudança na dieta alimentar e no horário da comida também pode produzir um efeito de desorientação. Algumas seitas utilizam dietas com baixo teor de proteínas e alto teor de açúcar, ou uma alimentação deficiente por períodos prolongados, para minar a estabilidade do indivíduo.
Nesta etapa do descongelamento, à medida que os sujeitos se enfraquecem, a maioria das seitas os bombardeiam com a ideia de que têm defeitos graves: são incompetentes, estão doentes mentalmente ou a sua espiritualidade é nula. Qualquer problema que seja importante para o indivíduo, como o insucesso na escola ou no trabalho, o excesso de peso ou as dificuldades nas suas relações pessoais são exageradas até o extremo para provar que a pessoa não vale nada. Algumas seitas podem ser bastante virulentas nos seus ataques pessoais, muitas vezes humilhando os adeptos na frente de todo o grupo.
Uma vez que a pessoa afunda, ela está pronta para a segunda fase.

A mudança
A mudança consiste em impor uma nova identidade pessoal – uma nova série de comportamentos, pensamentos e emoções – para preencher o vazio deixado pelo desaparecimento da identidade anterior. O doutrinamento desta nova personalidade se realiza tanto formal (em seminários e rituais) como informalmente (na companhia de outros membros, com leituras e audições de gravações e vídeos). Muitas das técnicas utilizadas na fase de descongelamento são também aplicadas nesta.
A repetição, a monotonia e o ritmo: eis aqui as três adormecedoras cadências hipnóticas através das quais se realiza normalmente a doutrinação. Os dados se repetem uma e outra vez. Se os palestrantes têm uma preparação mais séria, variam um pouco as suas palestras para manter a atenção, mas a mensagem é sempre a mesma.
Durante a fase de «mudança», todas estas repetições se centram em poucos temas básicos. Se diz aos noviços como o mundo é mal, e que os não iluminados não o sabem consertar. Isso é assim porque as pessoas comuns carecem do novo «entendimento» trazido pelo líder. O líder é a única esperança para conseguir uma felicidade duradoura.
Os comportamentos são moldados, no começo, de forma sutil, depois com mais determinação. O material que servirá para construir a nova identidade é administrado gradualmente, peça a peça, e só se aumenta o ritmo quando se considera que o sujeito está preparado para assimilá-lo.
As sessões formais de doutrinação podem ser muito monótonas e rítmicas: uma forma de induzir estados hipnóticos. É bastante comum que as pessoas durmam durante estes programas. Significa que estão respondendo bem à hipnose, principalmente porque abaixam as suas defesas intelectuais.
Uma técnica bastante comum nas seitas religiosas consiste em pedir para os seus adeptos que perguntem a Deus o que Ele quer que façam. Exortam-lhes a que estudem e rezem para chegar a conhecer a vontade de Deus. Sempre se insinua que unir-se ao grupo é o que Deus quer, e que abandonar o grupo é trair a sua vontade. Claro que se uma pessoa diz ao líder da seita que Deus lhe disse que deve abandonar o grupo, tal desejo não será aceito como válido.
Talvez a persuasão mais poderosa é a realizada por outros membros da seita. Para uma pessoa normal, falar com um adepto doutrinado é toda uma experiência. Um bom adepto de seita jamais aceita um não como resposta, porque foi doutrinado para acreditar que se você não entra na seita, o culpado é ele. Isso gera uma grande pressão sobre o adepto para que triunfe.
Quando uma pessoa está completamente rodeada por esta gente, a psicologia do grupo desempenha um papel muito importante no processo de «mudança». De propósito, divide-se o grupo em pequenos grupinhos. Aqueles que fazem muitas perguntas são isolados.
Os seres humanos têm uma capacidade incrível para adaptar-se a novos ambientes. As seitas destrutivas sabem como explorar esta capacidade. Por meio do controle do ambiente do indivíduo, o uso da modificação do comportamento para recompensar certas condutas e suprimir outras, e a indução de estados hipnóticos, podem realmente reprogramar a identidade de uma pessoa. Quando a pessoa «mudou», está pronta para o seguinte passo.

O congelamento
Depois que alguém foi quebrado e doutrinado no novo sistema de crenças, deve ser reconstruído como o «novo homem» (ou a «nova mulher»). Deve-se dar-lhe um novo propósito na vida e novas atividades que consolidarão a sua nova identidade. Mais uma vez, muitas das duas primeiras etapas são empregadas na fase de congelamento. Os líderes da seita devem estar razoavelmente certos de que a nova identidade esteja bem consolidada quando a pessoa saia do seu ambiente imediato. Desta forma, os novos valores e crenças devem ser interiorizados pelo novo recruta.
A primeira e mais importante tarefa da «nova» pessoa é denegrir a sua anterior personalidade. O pior que pode acontecer à pessoa é atuar como ela própria, a menos que essa seja a nova personalidade da seita, que estará completamente formada em poucos meses. A memória do indivíduo se distorce, minimizando as coisas boas do passado e exagerando os pecados, os defeitos, as feridas e a culpa. Os talentos especiais, os interesses particulares, os hobbys, os amigos e a família devem ser abandonados – preferencialmente em dramáticas atuações públicas – se entram em contradição com o compromisso assumido com a causa. A confissão se transforma em outro meio para purgar o passado e integrar-se na seita.
O grupo é agora a «verdadeira» família do membro; qualquer outra é somente a sua velha família «física». Algumas seitas insistem em uma transferência muito literal da lealdade familiar. Chamam o líder de «papai». A nova identidade do adepto é o próprio líder.
Para acelerar o congelamento de um indivíduo, algumas seitas lhe dão um nome novo. Muitas mudam a sua forma de vestir, o penteado, e tudo aquilo que possa recordar o seu passado. Muitas vezes os membros devem aprender a falar uma linguagem própria da seita.
No geral, a seita faz uma grande pressão para o novo membro entregar todas as suas economias e posses. Isso tem um duplo propósito. Além de enriquecer a seita, doar as economias de toda uma vida congela o indivíduo no novo sistema de crenças. Seria muito doloroso admitir o erro, e também consegue que a sobrevivência econômica no mundo exterior pareça muito mais difícil no caso de que a pessoa pense alguma vez abandonar a seita.
Impedir o sono, a falta de intimidade e as mudanças alimentares se prolongam durante vários meses, e às vezes mais. Isso fortalece ainda mais a dependência total com relação às figuras autoritárias da seita.
É típico que o novo membro receba tarefas de proselitismo o mais rápido que seja possível. As investigações realizadas na psicologia social demonstram que nada afirma tão rapidamente as novas crenças do que tentar convencer outros para que as aceitem. Buscar novos adeptos cristaliza a identidade construída pela seita em um curto prazo.
O mundo do adepto girará entre proselitismo, arrecadação de fundos e seções de doutrinação. Este ciclo pode repetir-se várias vezes ao longo dos anos. Até que o noviço se transforma, por sua vez, em doutrinador. Dessa forma, a vítima se transforma em vitimador, e se perpetua o sistema destrutivo.

Resumo e Tradução livre de Thácio Siqueira, Livro: Las Tecnicas de Control Mental, Autor: Hassan Steve. O tradutor omitiu alguns parágrafos e tentou traduzir as principais ideias desse breve trecho do livro.