“Certo dia, em 2016, criei um blog (que só durou alguns dias) com a finalidade de publicar reflexões a respeito dos Arautos do Evangelho… Lembro-me de que passei a ter muitos acessos, de pessoas de todo o Brasil. Porém, notei também que 90% dos comentários que surgiam em meu blog eram negativos, me xingando, me ameaçando, eram os famosos Haters.

Infelizmente, é algo normal hoje em dia. Todo mundo fica valente atrás da tela de um pc ou de um celular…
Para quem se dispõe a se mostrar em público, saber lidar com haters faz parte do pacote. É importante, contudo, saber distinguir críticas de ofensas.

A primeira, todo mundo deve estar aberto. Já as ofensas, em certos casos, podem sim ser tipificadas como crimes. Há casos de processos na justiça motivados por isso.
Lembro-me que, com certa curiosidade passei a investigar aqueles perfis mais agressivos, entrar neles, ver quem eram as pessoas, relacionar com outros comentários em outros canais, etc… e, para minha surpresa, notei que muitos eram perfis falsos, possivelmente vários deles da mesma pessoa…

Conversando aqui e acolá com alguns conhecidos ex-arautos, eles me disseram que é uma prática comum de alguns membros ou também de pessoas de fora (familiares, etc) sectarizadas pelo grupo, de criarem militâncias virtuais a fim de gerar uma imagem positiva para o grupo. Me disseram que fazem isso porque são motivados pela tal da Bagarre e tal. Ou seja, os Arautos são treinados para literalmente eliminar toda e qualquer crítica ao que seja do seu paraíso…


Bom, diante das notícias recentes, em várias mídias, faça a experiência você mesmo que está lendo este texto. Acesse, por exemplo, o youtube da revista Veja, o vídeo do testemunho da Sara, ex-arauta. Note a quantidade de perfis falsos que fazem comentários inclusive criminosos sobre o testemunho dessa vítima. Como seria bom que um grupo de advogados que militasse pela causa das vítimas de abuso se dedicasse a procurar um por um os autores dos comentários mais criminosos e passassem a processá-los para enquadrá-los em crimes cibernéticos ou morais. Há de tudo, desde ofensas até comentários que se parecem muito com ameaças à vida da Sara. Por exemplo, há um lá que diz que em breve a Sara vai queimar. Possivelmente isso pode ser interpretado por um juiz como ameaça de morte.


É verdade que também há pessoas comentando, que se dizem defensoras dos Arautos e que, por sua vez, à exemplo dos seus mestres, se dedicam à violência e às ofensas.


Bom, fica a dica então para todos aqueles e aquelas que são vítimas desse grupo e o único que buscam é justiça. Não deixem passar em branco os comentários mais agressivos e com teor criminoso. Não deixem de tirar “prints” e denunciar para a polícia civil, para o ministério público. No caso da Sara, seria muito interessante coletar todas ameaças e ofensas e levar para a polícia especializada da mulher da região onde ela mora, e, também, para a delegacia da criança e para o conselho tutelar, além de outros órgãos públicos de defesa da dignidade da pessoa humana.”

THIAGO

Sara, de 17 anos, ficou 5 anos nos Arautos do Evangelho.
Sua mãe, Flávia Nascimento, decidiu tira-la da organização após ver os vídeos divulgados em 2017. (Kaio Lakaio/VEJA)