Olha, se dedicarmos alguns minutos para ler comentários nas redes sociais dos Arautos do Evangelho e de grupos afins, parece que ser católico é: não assistir à Globo, odiar em segredo o Papa Francisco (aliás, qualquer Papa depois de São Pio V), é desprezar o Concílio Vaticano II, usar roupas estranhas, usar véus e evitar cumprimentar qualquer pessoa na “paz de Cristo” da missa (isso já aconteceu comigo, e é bastante incômodo ser deixado no vácuo), é idolatrar certos fundadores de grupos católicos e desprezar todo o ensinamento de Cristo no Evangelho a respeito do amor… bom, para tais pessoas, parece que ser católico é algo que só elas são capazes de ser e ninguém mais.

O grande problema aqui é que o próprio termo “católico” significa “universal”. E em algo universal deve caber muita coisa, até mesmo diferentes, mantendo um núcleo que os une, não é verdade?

Claro, o próprio Jesus orou para que todos os seus seguidores fossem “Um”, e também disse aos discípulos que só pelo Amor é que eles seriam reconhecidos. E, obviamente, ninguém aqui está negando a existência de depósito da fé, resumido no Credo, que reúne o conteúdo da fé católica (e sem dúvida, por incrível que pareça para alguns, no Credo não se fala de Plínio Correa e da Senhora Lucília. Enfim…).

Em outras palavras: Cristo parece ter querido unir e não uniformar. Unir se faz com a força do Amor, que é essencialmente por meio do respeito ao livre arbítrio. Uniformar se faz por meio da força e da manipulação, que é essencialmente o que muitos grupos buscam fazer por aí.

Se Jesus tivesse querido uniformar os seus seguidores era só ele nunca ter subido aos céus, por exemplo. Quem seria capaz de ir contra um Deus todo-poderoso, sentado em um trono há 2000 anos? Ou Jesus teria, ele próprio, escrito o Novo Testamento. Aliás, ele sabia ler e escrever. Mas, o único episódio no qual ele escreve algo, é quando escreve na terra. O Evangelho não relata o conteúdo do que ele estava escrevendo. Por quê? Jesus deve ter apagado rapidinho. Ele conhece o modo como os seres humanos deturpam tudo e sabe que nós teríamos, sem dúvida, deturpado aquele seu escrito. É por isso que ele confiou ao Espírito Santo a Igreja e todo o seu futuro. O Espírito irrompe onde o ser humano se acomoda no luxo e na vida cômoda de fariseísmos moralistas.

Nesse contexto, desde ontem pela manhã, podemos encontrar no próprio Youtube dos Arautos o que esse grupo protagonizou com um jornalista da rede Globo. – Não quero aqui defender a emissora, junto com as suas políticas contrárias à visão cristã de mundo, visível em novelas, etc e tal, não é esse o ponto – . O ponto aqui é observar de “camarote” (e olha que não me refiro ao Gerson Camarotti, hehehe) como um grupo CATÓLICO está se dando a conhecer ao mundo “não precisamente pelo amor”. É possível vê-los expulsando de um templo católico, de forma violenta, até com requintes de crueldade e de humilhação pública, um jornalista. Claro, é visível que os Arautos haviam ensaiado um teatro com a intenção de “humilhar” a globo e queira, na cabecinha deles, usar isso para a sua “opinião pública”.

Oh, que fofinho são esses Arautos. Às vezes penso, com o Chaves: será que eles não chegaram atrasados na fila de repartição de cérebros? É sério.

Nesse sentido, não tenho compará-los aos Legionários de Cristo, o grupo que me explorou e manipulou durante 15 anos. Se em algo eles parecem ter se espelhado nessa Congregação criminosa, não foi na inteligência de comunicação, sem dúvida. Não mesmo.

Recordo-me perfeitamente os superiores dos Legionários de Cristo, criminosos também, em Roma, dizendo-nos com todas as letras: “se quieres vivir, fingete de muerto” (se você quiser viver, tem que se fingir de morto). E, em vez de comprarem brigas violentas com o mundo e com a mídia, decidiram contratar uma empresa de solução de conflitos para auxiliá-los com a opinião pública. Certamente, uma atitude cretina e hipócrita, mas inteligente.

O que os Arautos realizaram ontem só aumenta o foco de atenção sobre eles. Torna-os parecidos com certos partidos políticos que só conseguem falar para o seu próprio auditório. No fundo, demonstram que é isso que eles buscam. Mas, também demonstra o tamanho da fantasia na qual vivem. No fundo, eles não se dão conta de que quem tem 5 centímetros de cérebro consegue captar a profunda manipulação e sectarização do grupo, ao ver os seus vídeos, ou apenas conversando só 1 minuto com qualquer um dos seus membros mais fieis.

É realmente impossível colocar-se no lugar daquele jornalista e da sua equipe de cinegrafistas. Acho que ele nunca passou por uma experiência tão agressiva em toda a sua vida profissional. Eles estavam quase sendo linchados por um grupo com aprovação pontifícia. Olha que lindo, Santa Sé. Será que o Papa viu a cena? Será que o bispo local, que aprova também, viram a cena? Será que o núncio apostólico viu essa cena linda? Será que atuarão um dia, com mais valentia, para botar ordem na casa?

Infelizmente, e isso é verdade também, a audiência deles cresceu bastante de um tempo para cá. Não graças a eles e nem aos seu modo de ser católico, mas porque as coisas são assim: há louco para tudo nesse mundo. Há época mais conservadoras, e há épocas mais progressistas… Existem, sim, pessoas por trás, aplicando seus bilionários fundos para tentar levar o mundo para uma direção ou outra, mas sabemos, pela Sagrada Escritura, que o único que move realmente o coração do ser humano é o Criador.

Se ser católico fosse ter uma carteirinha de pertença ao clube, vestir tal ou qual roupa, morar em tal ou qual comunidade, etc, seria muito fácil. Ser católico, além de ter ingressado espiritualmente na Igreja por meio do batismo válido, se alimentar dos sacramentos, conhecer o núcleo da fé, orar para ir para o céu, é, essencialmente, viver o amor. De nada serve todo o anterior, se a pessoa não amar. O amor, e não as roupas estranhas, é a única moeda para entrar no paraíso. Os Arautos entendem isso? Pode ser que sim, mas eles têm outro conceito de amor. Amor para eles é ser violentos, é estar dispostos a assassinar demônios (parece que jornalistas estão nesse conceito também), é estar preparados para destruir juridicamente qualquer um que ouse criticá-los.

Para concluir, deixo para vocês a pergunta das perguntas. Trata-se da arma secreta que pode implodir os Arautos de dentro. É a pergunta que nenhum grupo semelhante aos Arautos é, ou foi capaz de responder. É a pergunta, aliás, que toda seita evita que lhes seja feita. É a pergunta para a qual eles não tem resposta. É a pergunta que, quando feita para cada um dos membros de grupos normais, empresas, grupos religiosos que respeitam a liberdade humana, obtém, para cada membro, uma resposta praticamente diferente.

Diga-me, ó membro dos Arautos, um só defeito da sua Associação

Parabéns a todas as vítimas dos Arautos. Muita coisa já foi feita. Tudo o que está ocorrendo era, simplesmente, impensável, anos atrás. Não se torturem lendo os comentários desse povo nas redes sociais. Não se torturem vendo os vídeos onde eles desafiam à morte os seus críticos. Não se torturem sequer conversando com membros desse grupo. Foquem. Foquem. Foquem. O único caminho é o jurídico. Instaurem processos, procurem os órgãos públicos. Processem. Deixem os jornalistas fazerem o trabalho deles. Apoiem-nos. Mas, foquem. Não se conversa com pessoas sectarizadas. E não porque vocês não querem, mas são elas que não querem. Os Arautos são financiados por milhões de brasileiros. Ou seja, há um bom número de católicos brasileiros que os apoiam. Isso não quer dizer nada. Vocês são vítimas e sabem muito bem de que lado estão: do lado da Verdade. E “Aquele que é da Verdade ouve a minha voz”, diz Jesus. Força e coragem!!!