“Vez ou outra aparece aqui nesse grupo, frases do tipo:
“Eu agradeço os Arautos, porque se não fossem eles, eu não seria católico…”
Refletindo “cá com meus botões”, pareceu-me que a frase acertada seria:
“Apesar de ter conhecido os Arautos, eu continuei ou me tornei católico.”
Um católico, acima de tudo, é aquele que pratica os 2 mandamentos máximos de Jesus Cristo:
“Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mt 22:37-40)
E em João, a essência desses mandamentos é resumida nestes termos:
“Eu vos dou um novo mandamento: amai-vos uns aos outros. Como eu vos amei, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros” (Jo 13,34).

Ora, alguém em sã consciência, que relembre com sinceridade, a sua vivência na TFP e nos Arautos, verá que tudo ali é mais uma religiosidade (particular) do que uma catolicidade.
Nos tempos da TFP, em relação à Missa, podíamos encontrar essas três principais situações:
1 – Aqueles que viviam em locais em que lhes possibilitavam assistir alguma Missa “interna” no rito de São Pio V;
2 – Aqueles que viviam em lugares em que havia algum rito oriental;
3 – Aqueles que ficavam meses sem assistir uma Missa, pois não assistiam a “Missa Nova”, pois ela “tinha gosto de heresia”.

Eu mesmo, quando entrei pela Saúde, assistia Missa dominical nos melquitas, um rito oriental, que Plinio e “seus teólogo aceitavam”.
A TFP, por mais que se proclamasse católica, era na verdade uma instituição político-cristã, que se opunha politica e religiosamente contra a Igreja Católica.
Plinio era um “católico tridentino”, sua fidelidade real aos Papas, chegou no máximo, a Pio XII, com tremendas ressalvas, seu Papa predileto era mesmo Pio X.
Plinio arrastou em suas crenças pretensamente católicas, um grande número de pessoas.
Se ele de um lado inspirou certa piedade em seus seguidores, em muitos outros aspectos ele inspirou o contrário do “amai-vos uns aos outros”.
Desejava a “Bagarre” como uma desforra dos bons e um controle da situação pelos bons (que claro, sempre eram eles).
Plinio e João destilaram na alma de muitos, jovens e adultos, a cultura do ódio e da intolerância, da culpa e do medo.
Para aliviar a tensão, Plinio e João mostravam que o Jesus Bom Pastor era para eles, o Cristo Gladífero era para a humanidade.

Já em relação à “fase” Arautos, comandada por Mons. João, a simples lembrança de uma “operação Judith” mostra o quão católicas são suas intenções.
Às véspera da aprovação pontifícia, frases do tipo: “Quando eles se derem conta de quem estão aprovando, será tarde demais!”, eram muito comuns de serem pronunciadas por Mons. João Clá.
A doutrina que João propagou e propaga, especialmente nos tempos do Jour-le-jour, das reuniões logo após a morte de Plinio e mais recentemente nas conversas privadas com o grupo de padres, ferem a teologia católica no que diz respeito à necessidade capital de Cristo na vida de todo cristão.
Alguém, quiçá, poderá argumentar que João Clá conduziu “toda” a massa da TFP e dos novos Arautos para o “seio da Igreja”.
Mera ilusão… estive presente no processo, tudo não era senão uma jogada diplomática, que beneficiava só uns poucos.
Se você, sendo verdadeira e fervorosamente um adepto da TFP ou dos Arautos, comandados por Plinio e João, e você pensa que é católico, sinto informar… mera ilusão… você apenas foi joguete ou peça (mais ou menos necessária) nas mãos de pessoas inescrupulosas.
Lembro-me de um jantar no Praesto Sum, em 1998, em que João Clá dizia que “por hora devemos guardar nossas capas e espadas em baixo do colchão”. Nesse mesmo jantar, comentava que “nós devemos nos fazer necessários para a Igreja. Quando eles se derem conta de quem somos, será tarde demais.”
Ainda nessa ocasião, João Clá avisou que ele ia “aguar” os seus comentários em relação “à estrutura” em vista de “um bem maior” que era a “sobrevivência da obra do Sr. Dr. Plinio”.

Então, caro ex-membro, se você é católico, o mérito é seu, é de seus pais, é de suas boas raízes, é do que há de bom em você.

Não escrevo para atacar, nem para ofender. O post tornou-se extenso eu sei… mas é bom refletir!”

texto original: https://antigroselha.wordpress.com/2018/01/23/apesar-de-ter-conhecido-os-arautos-eu-continuei-ou-me-tornei-catolico/comment-page-1/#comment-40