A ex integrante morou entre o começo do ano de 2011 e o final de 2015, em MATER CASTÍSSIMA.
Dos 10 aos 15 anos de idade

“Na ordem segunda pelo menos, brigar com os pais é quase um status.

As meninas que brigam com os pais são tratadas de uma forma toda diferente, recebem uma atenção que quem tem pais tranquilos não tem. Não basta brigar, tem que brigar e mostrar para todos que estão envolta que está brigando, que os pais são “problemáticos” e que sua “vocação” está o tempo todo sendo ameaçada.

Lembro-me de várias vezes ver meninas gritando com os pais no telefone e as pessoas envolta enaltecendo a pessoa. Inclusive, já busquei briga de propósito com meus pais para ter uma atenção maior das encarregadas.
Essas meninas, com problema na “F”, estão o tempo todo em conversas particulares com as encarregadas, frequentemente têm “convívio” com Monsenhor João Clá, são escolhidas para cortejo e vão para a casa de praia com Monsenhor.

Tudo isso para segurar a menina lá dentro. Mas não só, essas meninas, sobretudo, se tornam exemplo, ícone de administração lá dentro por sua “perseverança”. Eram quase canonizadas. A gente que era criança, via os “perrengues” que elas passavam com a “F” e dizíamos entre nós que, depois de tudo que “sofriam” com os pais, eram Santas.
Dessas meninas, a maioria vai morar em Monte Carmelo, e não é por acaso, sabe?! Para Monte Carmelo vão as pessoas “boas”, logo, as que “sofriam” com os pais, como são exemplos de “perseverança e entusiasmo” a serem seguidos, vão para Monte Carmelo…

[…]

Outro ponto que era muito insistente lá dentro era a confissão semanal, era até um ponto ditado no Ordo de Costumes. Toda semana, fizesse chuva ou sol, estávamos confessando os pecados que tínhamos e não tínhamos.
O fato é que em uma semana não dava para cometer pecados tão diferentes, estávamos sempre na mesma rotina, repetindo as mesmas atividades, as mesmas conversas, textos que ouvíamos e reproduzíamos, ou até mesmo falando mal da mesma irmã que não gostávamos hoje, nem semana passada. O exame de consciência era fixo, só mudava o papel, sempre o mesmo padrão, “não cumpri o ordo”, “senti saudade da minha ‘FMR’”, “não me entreguei completamente ao fundador”, esses eram os pecados que a gente confessava, inclusive, acho que os padres sabia de cor o pecado de todo mundo, porque era tudo igual.”

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