PARTE II

  • 6 – Reivindicação de revelações especiais ou mensagens levando à fundação do grupo

Embora isso represente um sinal de alerta, não é absoluto. A Igreja reconhece a presença de muitas aparições e revelações privadas legítimas ao longo de sua história. No entanto, nem todas as alegadas aparições ou revelações especiais são verdadeiras. Portanto, a Igreja deve continuar a investigar qualquer alegação de revelações especiais ou mensagens – especialmente quando elas se tornam o elemento catalisador para fundar uma nova associação. Se, no entanto, uma nova associação se recusar a divulgar ou apresentar as suas alegadas revelações ou mensagens especiais para a Igreja, esta imediatamente põe em causa a autenticidade tanto da associação quanto da suposta aparição.

  • 7 – Status especial do fundador ou fundadora

É claro que o fundador ou fundadora sempre desfruta de um papel especial na fundação de uma nova associação ou comunidade. No entanto, em todos os outros aspectos ele ou ela deve ser um membro como todos os outros. Isso significa que ele ou ela é igualmente vinculado aos costumes, às disciplinas e às constituições da comunidade. Se o fundador ou a fundadora demanda refeições especiais, alojamentos especiais, dispensas especiais em relação às regras impostas aos demais membros da comunidade, ou qualquer outro tratamento especial, então este é um sinal de aviso claro. É motivo de especial preocupação, se o fundador ou fundadora reivindica isenção das exigências da moral cristã devido ao seu estatuto.

  • 8 – Penitências especiais e severas impostas

Como ensina São Tomás de Aquino, a virtude é encontrada no meio, entre dois extremos. Portanto, qualquer penitência imposta aos membros da comunidade deve ser tanto moderada quanto razoável. Penitências especiais e graves não são sinais de força – em vez disso, são sinais de extremismo.

  • 9 – Multiplicidade de devoções, sem qualquer unidade doutrinária entre elas

O objetivo dos sacramentais e outras devoções é nos aproximar de Cristo e dos sacramentos. Portanto sacramentais não são superstições. Uma nova associação ou comunidade deve assegurar que qualquer devoção especial ou sacramental una seus membros a Cristo, aos sacramentos, e a missão da associação. Por exemplo, rezar três Ave-Marias, em frente à estátua de São José, enquanto o Santíssimo Sacramento está exposto, não oferece tal unidade. A adoração eucarística, a devoção mariana e devoção a São José são boas em si mesmas, no entanto devem ser oferecidas individualmente ou coletivamente como devoção à Sagrada Família. Elas não devem ser oferecidas simultaneamente.

  • 10 – Promoção de elementos “marginais” na vida da Igreja

Como mencionado anteriormente, cada associação ou organização dentro da Igreja deve existir para servir as necessidades dos fiéis. Portanto, os canonistas vêem qualquer associação que existe unicamente para servir a elementos marginais – sejam esses elementos aparições especiais, revelações privadas, ou agendas sociais ou políticas extremas, etc. – com desconfiança.

Isso não é negar que os eventos extraordinários podem algumas vezes ser o elemento catalisador para uma nova associação ou ordem religiosa. Por exemplo, São Francisco de Assis, fundou os franciscanos depois de receber uma locução do nosso Senhor para “Reconstruir a Minha Igreja.” Entretanto, São Francisco não fundou os franciscanos com a intenção de promover a sua locução interna. Pelo contrário, a locução interna inspirou São Francisco a fundar uma ordem para servir a Igreja.

CONTINUA…