São tantas coisas para falar que nem sei por onde começar! Já puderam acompanhar vários assuntos, ordo, penitências, capítulo…

Porém hoje trago um assunto novo: O CORTE DE RELAÇÕES

Entrei para essa seita tinha 11 anos, uma criança, tirada da família que encantada aceitou morar lá! Na primeira semana lá já senti que tudo mudou. Antes de você entrar eles te tratam de uma forma aveludada, carinhosa. Quando você entra eles mostram como realmente é o regime lá dentro, começam as cobranças, as penitências por fazer coisas que eles dizem não ser certo, como esquecer de colocar uma fita por exemplo.

Depois de 1 ano fui chamada para morar em São Paulo, todas as minhas amigas próximas iam… Como eu recusaria não é?! Foi a pior escolha da minha vida.

Se aqui já era rígido, lá triplicou. “ESPÍRITO EREMITICO” era isso que mais se falava, você deveria seguir o ordo à risca para alcançar a perfeição e santidade. Tinha que ter uma obediência perfeita ao que eles tinham como ideais e tomavam para si. Tinha que tratar todas da mesma forma sem distinção!

Pois é nesse último ponto que quero entrar. Eu tinha 12 anos quando fui para lá, tinha amigas que vieram da mesma cidade, porém não podia ficar só com elas pois era PANELINHA, devia ficar afastada. Com o tempo fiz amizades com pessoas de lá também, porém quando percebiam que conversava demais com alguém já vinha a recriminação: “não fique demais com fulano” mas por que raios não podia ter amigos mais próximos???

Eu tinha uma amiga que me era bem querida pois éramos bastante parecidas e me cortaram de falar com ela. Exato “a partir de hoje você está proibida de falar qualquer coisa com a fulana”. Como assim??? Nem se quer meus pais fariam isso. Porem aceitei pois já tinha a fama de ser revoltada.

Depois de uns 2 anos voltamos a nos falar, porém aquilo tinha acabado com a nossa amizade, era como se fôssemos estranhas.

E o fato que culminou na minha saída foi eles terem me cortado com outra amiga, essa era ainda mais forte nosso vínculo, e não obedeci a ordem, não estava de acordo com essa ideia e me mandaram para outra sede, e assim passei os 3 piores meses da minha vida.

Eu morava em uma casa com enorme convívio social, muitas pessoas, rotina corrida, muitas tarefas. E da noite para o dia me mandam para uma casa com 8 pessoas, todas acima de 60 anos. Me diz, como você se sentiria? Como você acha que sua filha se sentiria? Na primeira semana eu não conseguia chorar, ninguém mais na escola falava comigo com exceção de uma ou duas amigas próximas mas que foram ordenadas a se afastar de mim também. No meu aniversário, não recebi 1 felicitação. Passava 3/4 dias sem falar com absolutamente ninguém.

Vocês imaginam o que é isso para uma menina de 15 anos?

Isso é uma palha do que eles tem poder para fazer e realmente fazem! Pois não temos autonomia para contar aos nossos pais e muitos nunca saberão da verdade que se passou realmente com seus filhos lá dentro!

Sou uma sobrevivente desse pesadelo, espero que meu desabafo ajude outras pessoas. QUE NOSSA SENHORA NOS AJUDE!