OS ARAUTOS DOS EVANGELHO não são uma ordem religiosa. Seus estatutos foram aprovados pelo Conselho pontifício para os Leigos como uma associação privada de fiéis. Todos os membros dos Arautos, com exceção dos sacerdotes e os diáconos , são leigos.

Os jovens que passaram por um capítulo de faltas tem o direito de acharem que foram humilhados. O sentimento de humilhação e de medo é comum para esses jovens (muitas vezes menor de idade) que não tem o direito de exprimirem-se.

Essa atitude de não admitir nenhum erro diante do sofrimento de uma pessoa, se chama CLERICALISMO. O Papa Francisco falou muitas vezes nos últimos meses a respeito disso, como sendo uma das fontes dos abusos que existem na Igreja. Vítimas têm o direito de falar o que sentiram. VÍTIMAS DEVEM SER ACOLHIDAS E BEM RECEBIDAS.

Os abusos de todo tipo estão sendo denunciados pelo mundo interno. A leitura da exortação apostólica pós-sinodal Christus Vivit do Papa Francisco de 25 de março de 2019 fala nesse sentido. Nela o Santo Padre enumera muitas formas de abusos e da importância de erradica-los da Igreja. O ponto 98 deve ser meditado:

[Existem diferentes tipos de abuso: abusos de poder, econômicos, de consciência, sexuais. Torna-se evidente a tarefa de erradicar as formas de exercício da autoridade nas quais se entroncam aqueles, e de contrastar a falta de responsabilidade e transparência com que foram geridos muitos casos. O desejo de dominação, a falta de diálogo e transparência, as formas de vida dupla, o vazio espiritual, bem como as fragilidades psicológicas constituem o terreno onde prospera a corrupção».[53]O clericalismo é uma tentação permanente dos sacerdotes, que interpretam «o ministério recebido mais como um poder a ser exercido do que como um serviço gratuito e generoso a oferecer; e isto leva a julgar que se pertence a um grupo que possui todas as respostas e já não precisa de escutar e aprender mais nada».[54] Sem dúvida, o clericalismo expõe as pessoas consagradas ao risco de perderem o respeito pelo valor sagrado e inalienável de cada pessoa e da sua liberdade.]

Os Arautos gostam de comparar os capítulos deles e a prosternação no chão de quem está sendo capitulada, com os capítulos de faltas das ordens religiosas que existiram no passado e a prosternação na cerimônia de ordenação sacerdotal. Porém são duas coisas completamente diferentes.

Como já foi dito, os Arautos não são uma ordem religiosa. A maioria das ordens religiosas transformaram os capítulos de faltas, seguindo as sabias orientações do Papa São Paulo VI no seu decreto Perfectae Caritatis de 1965. Fazer uso de uma tradição medieval pode ser imprudente no século XXI. A igreja já entendeu isso!

A prosternação na cerimônia de ordenação sacerdotal provém de uma longa tradição ainda em vigor hoje em dia na Igreja Católica. Não pode ser comparado com o que acontece nos capítulos dos Arautos.

Vale a pena ler o decreto de São Paulo VI, de 28 de outubro de 1965, sobre a conveniente renovação da vida religiosa. E de tomar em consideração que os Arautos são uma associação de leigos.