Todas as ordens religiosas possuem suas regras que orientam as práticas devocionais segundo o seu carisma próprio. Assim, a ordem beneditina preza pelo “ora et labora”, em que seus membros são exortados à prática contínua da oração e do trabalho como meio de santificação pessoal.
A ordem carmelita, cujo lema é “viver em obséquio de Jesus Cristo”, propõe uTma vida de íntima união com o próprio jesus Cristo, em que o religioso se confunde com o próprio Cristo na cruz.
A ordem dos pregadores, famosa pelo seu empenho científico também tem sua regra, em que se propõe a conservarem-se “unânimes na vida comum, fiéis na profissão dos conselhos evangélicos, fervorosos na celebração comunitária da liturgia – sobretudo da Eucaristia e do Ofício Divino – e na oração, assíduos no estudo, perseverantes na observância regular.”
Também os Arautos do Evangelho possuem algo que se assemelha a uma regra, embora não a seja no sentido estrito do termo. O ORDO de costumes é um manual por onde o membro do movimento condiciona seu comportamento ao ponto de se tornar um verdadeiro robô.

Índice do Ordo de Costumes dos Arautos do Evangelho


Num primeiro momento, cabe destacar que o ordo foi constituído a partir dos usos e costumes do seu mentor espiritual, Plinio Corrêa de Oliveira. Seus hábitos cotidianos eram considerados perfeitos ao ponto de que se adaptassem ao uso dos êremos.
Os êremos, por sua vez, eram ordens religiosas clandestinas que existiam dentro da antiga TFP e que atualmente recebeu cidadania canônica nos Arautos do Evangelho. Uma das razões da TFP perder o apoio do bispo Antônio de Castro Mayer foi exatamente a existência dessas casa religiosas irregulares chamadas êremos, como ele confidencia em carta a seus amigos.
Estes hábitos e costumes, após compilados, deram origem ao ordo de costumes, que não passa de um manual de conduta totalitário. Me nenhuma regra religiosa há tanta invasão da intimidade quanto neste manual. Os membros não tem o mínimo direito a individualidade se tornando IGUAIS em absolutamente tudo.
Não há, certamente, nenhum problema em que pessoas adultas, maduras e conscientes se submetam a regras de conduta ditadas por quem quer que seja, mas lembremos que o grande número de membros dos Arautos do Evangelho se constitui de crianças.
Será realmente saudável que a submissão de crianças antes tão habituadas ao convívio familiar, às relações com os colegas de escolas, a ver TV, brincar, viver uma vida inteiramente lúdica e flexível a práticas tão ascéticas de vida comum?

Numa rápida vista no ordo de costumes se pode notar, logo de início, que os Arautos fazem questão de deixar claro que se trata de uma sugestão, não uma imposição. Podemos perguntar aos ex arautos, esperando uma resposta sincera e honesta: quem não pratica esses costumes enunciados no livro, como são considerados? Não são tidos por SABUGOS e pouco entusiasmados, dos quais se deve manter distância para manter a pureza da própria vocação??
A proibição de estabelecer contato com pessoas do sexo oposto, o acesso aos jornais, sites, tv e internet vedados, a recomendação de nunca sair só, nem mesmo para visitar a própria família, (páginas 55 e 56) mostra total controle da vida do membro.

O livro é um manual de monitoramento totalitário, contempla os mínimos detalhes da vida intima, com o obsessivo desejo de se tornar um igual ao fundador, perfeito nos hábitos, costumes e gestos.
Do modo de estar em pé (73), de estar sentado (74), de subir e descer escadas (74), de usar guardanapo (81), escovar os dentes (91), cortar as unhas (95) e até mesmo da forma de se guardar objetos no bolso (98) são controlados pelo “manual do bom espírito”.

Parte do Ordo de Costumes dos Arautos do Evangelho.

Naturalmente, não é possível mencionar todas as absurdidades invasivas que o manual busca regular, sob o pretexto de “perfeição evangélica”. Como se os santos, que alcançaram a perfeição evangélica, tivessem praticado esse monte de regras absurdas.

O objetivo do manual não é unicamente monitorar à distância e condicionar a vida e os hábitos dos novos robôs católicos, mas criar um estado de espírito de dependência, de submissão e onipresença dos arautos
Por fim, sabemos que existem dois tipos de ORDO: o que realmente deve ser seguido e o que é demonstrado para o público em geral.

Parte do Ordo de Costumes dos Arautos do Evangelho
Parte do Ordo de Costumes dos Arautos do Evangelho