NÃO SE TRATA DA ESPADA PELA ESPADA

Esse mês uma das pessoas que acompanham nosso blog fez um comentário usando unicamente de versículos do evangelho. Achando-o muito válido, exatamente por trazer um trecho da palavra de Deus, fazemos questão de trazer esse debate para uma publicação formal.
O trecho postado no comentário foi o seguinte:
“Não cuideis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer paz, mas espada;
Porque eu vim pôr em dissensão o homem contra seu pai, e a filha contra sua mãe, e a nora contra sua sogra;
E assim os inimigos do homem serão os seus familiares.
Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
E quem não toma a sua cruz, e não segue após mim, não é digno de mim.”

Mateus 10:34-38
A postagem em que está o comentário em questão é “O ÓDIO AOS PAIS”, da qual eu deixo o link aqui:

https://exae.com.br/2019/03/01/o-odio-aos-pais/#comments

Antes de qualquer coisa é preciso analisar o contexto da passagem do Evangelho. Jesus diz essas palavras quando chama os seus apóstolos e confere a eles a missão de levar a paz e o nome de Jesus às ovelhas perdidas de Israel. Aqui Jesus diz que não será fácil, que os apóstolos serão perseguidos e mandados ao júri de reis e governadores, que irão açoitá-los e condená-los à morte. Diz que tenham coragem, pois o nome de Jesus causa incômodo aos que não se alinham com os mandamentos de Deus. Diz ainda que nada que está obscuro assim fica para sempre, tudo vem à luz em algum momento. Diz que não devem negar Jesus, nem por sua própria família, nem por ninguém, pois quem negar a Jesus diante dos homens, será negado por ele diante do Pai.
O trecho solto assim faz parecer que Jesus manda odiar aos pais, o que condiz com a realidade. A guerra de que Jesus fala aqui é da cruz que quem não nega a verdade carrega, pois, o nome de Jesus, em um mundo de hipocrisia, traz perseguição aos pregadores da verdade.
Em relação a essa segunda parte, “Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim não é digno de mim; e quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”. Aqui Jesus fala sobre aceitar as cruzes que a vida dá, da entrega a ele, do segui-lo. Caiba relembrar que seguir Jesus e abraçar a cruz não é somente em relação a vida religiosa, por que todos somos chamados a seguir Jesus todos os dias, cumprindo seus mandamentos e aceitando os sofrimentos que ele dá, sejam doenças, dificuldades financeiras, provações de fé, ou inclusive saudades de um filho que se torna religioso, mas principalmente de aceitar a verdade e leva-la às ovelhas perdidas, por mais dura que seja essa jornada.
Vamos um pouco mais a fundo. Nesse trecho Jesus não diz que para abraçar a cruz e amá-lo é preciso odiar os pais e desrespeitá-los, Ele apenas estabelece prioridades, Deus em primeiro lugar, não é mesmo? Até porque seria bastante contraditório o próprio Deus desmentir as Leis que estabeleceu para os homens, haja vista que, no quarto mandamento consta “Honrar pai e mãe”. É necessário que fique claro que o ódio não é pré-requisito do amor a Deus, o que não pode acontecer é deixar abalar-se a Fé por outras pessoas, sejam quem forem.
A grande questão é que, justificar o ódio que ensinam às crianças dentro dos Arautos com esse trecho do evangelho nada mais é do que retirar a palavra de Deus do contexto para consolidar um erro, que inclusive, vai contra os dez mandamentos.
Explorado um pouco o trecho, vamos ver um pouco do trabalho desse blog. Procuramos por meio deste relatar as experiências das famílias de e ex e atuais auratos e próprios ex-arautos, com essa instituição, com o intuito dar voz às situações que há anos permanecem no silêncio da negligência. As queixas aqui deixadas em momento nenhum diz respeito à opção de seguir vida religiosa das pessoas que ingressam nessa entidade, a crítica está voltada aos diversos crimes cometidos lá dentro, dos quais , diante do trecho aqui proposto, dou destaque ao de alienação parental, já que dificultam o contato dos pais com os seus filhos, não repassam ligações, violam o segredo de correspondência e sobretudo, incitam crianças de 6 anos a odiarem seus pais.
Deve ser de comum compreensão que alguém que incita o ódio não está seguindo os passos de Jesus, quem teve toda a sua vida dedicada ao amor, e principalmente que usar do trecho aqui discutido para justificar essa má atitude é no mínimo hipocrisia. Diante disso, coloco aqui o questionamento, ser um Arauto, que despreza a própria família e incentiva crianças a reproduzirem o seu ódio, é de fato amar a Deus sobre todas as coisas e abraçar uma cruz designada por Deus? É essa a guerra que Jesus veio trazer em nome da Verdade? Não parece contraditório dizer que algo que vai totalmente contra o que Jesus pregou seja amar a Deus antes de qualquer outra coisa, ou seja a Verdade que traz perseguição aos escolhidos de Jesus? Ao meu ver, amar a Deus sobre todas as coisas e levar a verdade às ovelhas desgarradas é reproduzir amor ao próximo e cumprir os seus mandamentos, dos quais vale ressaltar agora o 4°.
Ainda nesse mesmo sentido, é preciso ponderar a qualidade da ingressão nos Arautos do Evangelho enquanto uma forma de amar a Jesus mais do que a tudo e não negar a verdade. Relembremos o que aqui já foi discorrido a respeito dos ensinamentos internos dessa instituição: depois de já conquistados jovem e família, começam uma doutrinação de ódio aos pais, ódio a todos que não são Arautos, de luxo dentro do voto de pobreza e muitos outros pontos que não estão de acordo com a doutrina da Igreja. E sobretudo, entre as ideias impostas às crianças, tiram o título de “Caminho, Verdade e Vida” de Jesus e conferem-no à trindade Plínio, Lucília e João Clá. Como chamar justificar o ódio aos pais como amor a Jesus se lá dentro quem de fato amam são pessoas que nem canonizadas são e o nome de Jesus praticamente não é pronunciado? Como dizer que não negam a Jesus, se substituem o nome de Maria e seu Filho por Lucília e Plínio nas orações?
Ninguém aqui neste blog busca apartar as pessoas do caminho de Deus, pelo contrário, lutamos para que os lobos não passem por carneiros usando o nome da Igreja e de Jesus para propagar o ódio e o sofrimento.
Diante disso, temos que repensar as posições desse combate ideológico. Aqui, por meio de relatos, as pessoas têm a oportunidade de relatar suas experiências de forma respeitosa e todos mostram-se dispostos a tirar qualquer dúvida que possa surgir; não escondemos os comentários negativos. Da parte dos Arautos vemos poucas ou nenhuma explicação, segredos que não podem ser revelados e comentários opositores apagados. Se a questão aqui é a perseguição devido a pregação da verdade, como trabalhar com bases verdadeiras sem transparência do que de fato acontece dentro das muralhas de pedras dos castelos dos Arautos? Será que nessa situação a guerra deve ser mesmo contra a família?

9 respostas em “NÃO SE TRATA DA ESPADA PELA ESPADA

  1. Perfeito!
    O primeiro Mandamento da Lei de Deus diz: Amar a Deus sobre todas as coisas, mas isso não significa que para eu cumprir esse mandamento, preciso amar menos as pessoas. Pelo contrário, quanto mais amamos a Deus, mais amamos os pais, os filhos, os irmãos, a família e todas as outras pessoas. Quanto mais colocamos Deus em primeiro lugar, tanto mais amamos incondicionalmente.

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  2. Muito conveniente e fácil usar trechos bíblicos isolados para justificar tamanha atrocidade.
    Sugiro aos AE que se tem tanta convicção do que fazem, parem de pegar crianças vulneráveis e comecem a aceitar apenas adultos capazes e responsáveis pelos próprios atos.

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  3. Santo Afonso de Ligório enumera alguns exemplos de santos que abandonaram o mundo sem o conhecimento de seus familiares, como Tomás de Aquino, Francisco Xavier, Filipe Neri, Luís Bertrand, Pedro de Alcântara, Estanislao Kostka (cf. SANTO AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, op. cit., v.3, p. 419). São Francisco de Assis impôs à sua discípula Santa Clara que saísse da casa paterna e ela o fez sem que os pais notassem qualquer indício de seus planos, pois certamente teriam procurado frustrá-lo (ANDERMATT, Bernardo Christen von. Vida de São Francisco de Assis. 2.ed. Salvador: São Francisco, 1921, p. 119-121).

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    • Devo confessar que ao citar esses exemplos me despertou a curiosidade… Fui pesquisar e vi que Tomás de Aquino era da Ordem Dominicana [é uma ordem religiosa católica que tem como objetivo a pregação da palavra e mensagem de Jesus Cristo e a conversão ao cristianismo. Professam voto de obediência a Deus, à Bem-Aventurada Virgem Maria. Neste voto, estão incluídas a pobreza e a castidade. A pregação da palavra, o estudo, a oração e a vida comunitária são elementos fundamentais nesta Ordem, que é contemplativa e apostólica. Do carisma dominicano fazem também parte a verdade, a abertura, a compaixão, a penitência, a democracia e a itinerância. Têm especial devoção à Santíssima Virgem Maria.]
      Não vou olhar todos os que o senhor citou, mas posso garantir que o objetivo dos ARAUTOS DO EVANGELHO não são nem de longe parecidos com o que citei, nem com essa ordem, nem com nenhuma ordem Cristã.
      Muito pelo contrário, vivem em um luxo absurdo, não vou nem falar de todos os exageros de João Clá, com suas águas importadas, vinhos, quartos luxuosíssimos e etc… Obediência aos fundamentos Plinianos, sem nexo e coerência.
      Inclusive, os objetivos dos Arautos do Evangelho são bem confusos. Não há amor ao próximo, devoção é a Lucília, João Clá e Plínio. Promovem uma adoração baseada no medo e em profecias adiáveis a todo momento. Lembra daquela história de você “tem medo ou respeito”? Pois bem, as crianças são amedrontadas e induzidas a permanecer naquele lugar, afinal de contas quem quer ser um mocorongo ou quer morre com um meteoro e partir direto pro inferno??? Quando querem vim para casa, rapidamente são induzidos a desistir disso, não há respeito pela vontade da criança e nem de sua família.
      Aceito que todos esses Santos deixaram suas famílias bem cedo (não pesquisei, mas farei com calma) acredito que nenhum foi INDUZIDO a sair de casa pois seus PAIS eram a fonte da revolução deles. A maneira com que se encontra Santo hoje em dia é bem diferente, se aglomeram crianças, contam histórias alimentando fobias e medo e se questionar, voltam pra casa como se nada tivesse acontecido. Cadê a vocação?
      Sabe senhor, bem mais que fábrica de Santos os AE se tornou uma fábrica de medo, de problemas de saúde físicas e mentais, não é normal, digno e nem humano o quem sendo feito com nossas crianças, todas entram sorridentes, livres e saudáveis e em pouco tempo são transformadas em corpos pálidos, revoltados, doentes.
      Vou rezar para que caso tenha um filho(a) nos AE consiga abrir os olhos antes que os danos dessa seita sejam devastadores.

      Curtido por 1 pessoa

      • Meu filho pediu para vir embora por três vezes ao encarregado. E lhe foi dito que era nervoso, mandaram ele descansar.
        Meu filho chorou, não deixaram ele me ligar, ele ficou agressivo e triste. Ele é apenas uma criança, não um robô.
        Tem crianças que não consegue pedir para vir embora, tem medo das ameaças!
        Meu filho me confessou que sempre rezou e pediu para que a VERDADEIRA NOSSA SENHORA tocasse meu coração e pegasse ele. Ainda sim, devolveram meu filho e antes orientaram ele a esperar que ao completar 18 anos eu não teria mais poder sobre ele, orientaram meu filho a MENTIR.
        Honestamente, dispenso essa formação, ou melhor, má formação.
        SALVE MARIA!

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      • Quanto aos santos que o Sr. menciona, há informação de que é Tomás de Aquino resolveu se juntar à uma ordem aos 19 anos, o que não agradou sua família. Veja: aos 19 anos!
        Não me dei nem ao trabalho de pesquisar os demais santos, porque os pais apoiaram seus filhos a frequentar essa instituição, cujos propósitos são obscuros.
        Eu sempre ouvi que a verdadeira vocação é um chamado de Deus.
        Nos Arautos, no entanto, as crianças SÃO ESCOLHIDAS, são levadas a acreditar que tem “vocação”, a critério de João Clá, o fundador dos Arautos. É ele também que decide quem mandar de volta pra casa, novamente a seu exclusivo critério. Será que ele se acha Deus?!

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    • Caríssimo , esqueceu-se de Padre Pio !
      Não me lembro de ter lido em alguma biografia destes Santos , algum trecho mencionando repudia por seus pais , ou algum outro tipo de sentimento raivoso para com toda a família .
      Todos estes Santos rezavam para Cristo e Nossa Senhora e nenhum deles queriam substituir a Santíssima Trindade por pessoas comuns . A forma de vida destes Santos absolutamente , nada tem a ver com a Seita dos Arautos .

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  4. Muito triste ver o quanto pessoas distorcem ou interpretam de forma diversa a palavra de Deus para seus próprios interesses. A interpretação da palavra deve ser isenta de toda e qualquer influência. Do mesmo modo as religiões do cristianismo não podem distorcer os fundamentos da igreja, quanto menos invertar outros, como é o caso do Arautos, com a invenção do absurdo culto aos seus fundadores, o que vai completamente contra aos princípios da igreja católica. Tal culto pra que seja sustentado, precisa de pessoas, no caso as crianças, que sejam inocentes e frágeis para acreditar sem contestar nas sandices apresentadas e porseguinte se transformarem em seguidores que acreditam piamente em tudo que João Clã diz, mesmo que não se identifique com a palavra de Deus. Triste estar de fora e saber disso tudo!!! Triste tbm ver país que colocam seus interesses pessoais acima de seu própria raciocínio, ficando cegos diante das vantagens que tbm acham que estão levando e deixando de analizar seriamente o que é melhor pra vida de seu filho!!!

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  5. Todo texto sem contexto , vira um pretexto !
    Ler a bíblia é fácil , o difícil é ir na raiz da história para buscar a compreensão de seus versículos.
    Abrir mão de seus familiares para seguir a Deus , nada tem a ver com estar numa seita dita católica e aprender a odiar e repudiar seus familiares.

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