“Um anjo do céu deveria dizer isso. Mas como não vem, eu mesmo sou obrigado a dizê-lo: assim como S. Francisco foi a pobreza, e Santo Inácio foi a obediência, eu sou a Grandeza”.
– Plínio Corrêa de Oliveira.

“É preciso que a gente tenha uma devoção a ele [Dr. Plinio] crescente, um ardor a ele cada vez maior, que a gente o queira com toda força da nossa alma. Que a gente não pense em outra coisa durante o dia senão ele ele ele ele ele ele, que passe o dia ávido, o dia ansioso, o dia desejoso de ter um encontro ainda que místico, interior, com ele, uma conversa, um contato com ele, e a gente, portanto, vá se unindo cada vez mais a ele, a ponto de não termos mais a nossa mentalidade, o nosso espírito, a nossa inteligência, a nossa vontade, a nossa sensibilidade funcionando, a não ser assim: Eu já não vivo, é o sr. Dr. Plínio que vive em mim” João Scognamiglio Clá Dias.

Os Arautos do Evangelho chegaram há mais de 10 anos em minha cidade, passavam pelo comércio com a bandinha tocando e angariando dinheiro. Sempre contribuíamos, mesmo sem saber quem eles eram, diziam ser católicos.
Foram crescendo, alugaram uma mansão para o setor masculino e outra para o feminino, aluguel caro, em torno de 15/20 mil cada casa. Mas, o importante era continuar a pedir o dinheirinho do trabalhador nas casas e comércios. Sempre levavam à frente a imagem de Nossa Senhora, afinal, que filho nega um pedido da mãe.
Decepcionados com os abusos litúrgicos das paróquias, com proibição de se comungar de joelhos pelo padre, com homilias cada vez mais politizadas, sem espiritualidade, sem respeito e sem devoção ao Santíssimo Sacramento, aceitamos o convite para ir à Missa dos Arautos do Evangelho, na casa da Ordem I.
Aos poucos, nos tornamos frequentadores assíduos daquele lugar, onde todos eram uníssonos em dizer a quantidade de graças que vinham dali. Filas para se confessar, comunhão de joelhos e na boca, cantos gregorianos com direito à bandinha tocando, reverências respeitosas, a maioria das mulheres com roupas modestas e fotos dos fundadores por todo canto. Era, aparentemente, muito bom. Aparentemente.
Minhas filhas, aos poucos, foram se envolvendo e um belo dia acreditaram que tinham vocação para ser “arautas”. Não gostei da ideia, mas, não fui contra, afinal, estaria entregando-as para uma instituição religiosa, as ofereci a Nossa Senhora. Entretanto, não via naquelas irmãs o exemplo de vida monástica que deveriam ter. Entravam e saiam da Capela batendo botas; sempre davam o tom militar em voz alta diante do Santíssimo; as meninas não se concentravam nas orações, ficavam conversando; rezavam as Ave Marias em latim e as outras orações sempre pulando partes, com pressa para acabarem logo. Passavam as tardes de domingo, o dia do Senhor, na piscina da casa, usavam camiseta e shorts, o que, para uma ordem religiosa, é, no mínimo, estranho.
Um belo dia, foram elas para São Paulo com as irmãs. Fiquei em casa rezando, para que Nossa Senhora iluminasse minhas filhas para que tivessem certeza da vocação religiosa. Durante estes dias, resolvi procurar na internet informações sobre quem eram os Arautos do Evangelho e tive uma grande surpresa. Assisti a um vídeo numa reportagem da Revista Veja https://veja.abril.com.br/brasil/com-o-demonio-nao-se-brinca/ em que o João Clá e alguns padres riam da morte do Papa Francisco narrada pelo próprio demônio num de seus “exorcismos” internos. Segundo o demônio, o próprio João Clá ocuparia o lugar do Papa, talvez por isso, o chamam de “papito”. Fiquei muito angustiada e não conseguia falar com minhas filhas, era muito difícil elas conseguirem ligar para mim porque as irmãs ficavam sempre por perto vigiando e elas não tinham acesso à internet. Elas estavam proibidas de fotografar ou filmar qualquer coisa lá dentro.
À noite, quando consegui falar com uma delas, relatei o que eu tinha visto na internet. Não precisei falar muita coisa, elas já estavam desesperadas para voltar para casa, diante de tantos absurdos que elas estavam vendo lá na sede (luxuosíssima) deles em São Paulo com devoções delirantes a Lucília, Plínio e João Clá. Elas não eram tão novinhas, como as outras meninas, e tinham conhecimento suficiente sobre a doutrina da Santa Igreja Católica. Sempre leram sobre esse assunto e conheciam a vida de alguns santos e suas virtudes, que nada se pareciam com o que viam lá dentro.
A saga das minhas filhas continuava e elas tinham uma tarefa difícil depois de terem descoberto a barca furada em que entraram, precisavam disfarçar o incômodo com aquelas loucuras devocionais aos fundadores, pois eram observadas o tempo todo pelas irmãs, até estarem de volta em casa. Se elas não manifestassem entusiasmo pelos fundadores, as irmãs logo vinham dizer que o demônio estava atacando-as. Eu ficava rezando dia e noite e aguardando notícias. Quando retornaram para casa, graças a Deus, voltaram bem, elas tiveram pesadelos e choravam enquanto dormiam, as duas tiveram essa reação. A decepção que elas não conseguiam expressar conversando aflorava enquanto dormiam. Foi uma fase muito triste para nós, um misto de medo e vergonha. Medo porque sabíamos que eles são muito poderosos e vergonha porque fomos enganados por pessoas que se diziam católicos tradicionais, mas, na verdade, eram patéticos, falsos e superficiais.
O telefone delas não parava de tocar por vários dias, eram as irmãs insistentes. Minhas filhas não queriam falar com elas. Não queríamos nunca mais pôr os pés lá. Naqueles dias, resolvemos que tínhamos de conversar com nossos amigos que frequentavam aquela seita e contar as coisas que minhas filhas viram internamente. Infelizmente, muitos não queriam ouvir e dentre os que nos ouviram, poucos enxergaram a verdade dos fatos, a maioria prefere não usar a própria inteligência, dom de Deus, para ver que lá dentro há uma doutrina que não é católica.
Ao convidar uma amiga nossa para vir em casa e relatarmos os acontecimentos, para nossa surpresa, ela trouxe vários vídeos deles que vazaram na internet. Assistir aquilo foi muito estarrecedor, mas, só confirmou as coisas que minhas filhas falavam que tinham visto e descobrimos outras muito piores. Precisávamos tomar uma providência, não é possível que eles possam agir assim livremente enganando tantas pessoas como fizeram conosco. Decidimos fazer uma denúncia aos Bispos que estão investigando os Arautos, a pedido do Vaticano, e ao Bispo de nossa cidade. Pedimos ao nosso Bispo para condenar o culto aos fundadores e impedir que eles fossem angariar crianças nas escolas para levar para as sedes deles, mas, alguma coisa não permite que o Bispo assim o faça, medo, talvez. Seguimos aguardando a decisão do Vaticano sobre essa investigação.
Em minha insignificância, não quero dar a solução para a crise atual por que passa a Igreja, mas, como fiel católica e mãe de família, percebo que faz muita falta a verdadeira Tradição Católica, que, infelizmente, é combatida por grande parte do clero. Se o catecismo de São Pio X ainda fosse ensinado pelos padres, se houvesse uma unidade das Missas, como existe em pouquíssimas Missas Tridentinas que são rezadas, ao contrário de que se vê nas Missas Novas onde a criatividade de alguns padres ofendem, em vez de agradar a Deus, se os católicos fossem realmente católicos e cobrassem dos padres a postura de bons pastores, puros e dedicados a pastorear o rebanho, em vez de administrar a paróquia e se ocupar de mil coisas que em nada ajudam a elevar e salvar as almas, não haveria espaço para enganadores como esses, disfarçados de cavaleiros medievais, adentrarem na Igreja. Os lobos modernos retiraram a pele de cordeiro, calçaram botas e adoram deuses que criaram para si.
Por enquanto, resta-nos rezar para que o Papa expulse esses sectários. Que os culpados se arrependam diante do Divino Juiz por todo mal e escândalo que causaram e estão causando na Santa Igreja Católica. Eles serão cobrados por cada alma que se perdeu por ter abandonado a verdadeira fé dentro dessa seita. Que cada uma das inúmeras denúncias seja lida pelo Santo Padre, que os clamores das vítimas e das famílias enganadas, muitas destruídas, cheguem a Deus pelas mãos de Nossa Senhora.

“3. Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. 4. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas.”
II Timóteo, capítulo 4

Católica, mãe e ex-frequentadora dos Arautos do Evangelho.