Conheci a TFP no ano de 1991, e participei de toda a sua transição para a ACNSF (Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima) em 1997 e mais tarde, no ano 2000, nos Arautos do Evangelho.
Optei por sair dos Arautos do Evangelho no ano de 2013.
Já adianto aqui os motivos, que foram de ordem pessoal, doutrinária e ideológica.
Desde os primeiros momentos da eleição do Papa Francisco, iniciou-se um “zum-zum” de desagrados, que depois cresceram para críticas, mais tarde em francos comentários desfavoráveis.
Ouvi, em um sermão do Mons. João Clá de que ele duvidava de que Francisco fosse de fato um papa legítimo.
Em outra ocasião, não pública como acima relatado, mas em conversa, referiu-se a Francisco como sendo um palhaço.
Por essas e outras razões, decidi afastar-me dos Arautos do Evangelho.

Relato agora alguns pontos relativos à promoção de devoção a Plinio Correa de Oliveira, Lucilia Ribeiro dos Santos Correa de Oliveira e Mons. João S. Clá Dias.

Os momentos em que Mons. João S. Clá Dias promovia a devoção a Plinio Corrêa de Oliveira e a Lucilia Ribeiro dos Santos Corrêa de Oliveira, eram muitos:
Todos os domingos ele fazia uma reunião que se intilulava de “Jour-le-jour” (dia-a-dia). Essa era uma reunião “laudatória” a Plinio e a Lucilia.
Constantemente eram usados termos “profeta”, “nosso pai”, “senhor sacral”, em relação a Lucilia eram usados termos como “mãe nossa”.
Nessa época (1991 em diante) João Clá tomava muito cuidado com suas palavras, mas ficava sempre a impressão de que Plinio era Jesus e mais marcadamente que Lucilia era Nossa Senhora. As pessoas maduras sabiam fazer a distinção, mas o auditório era majoritariamente constituído por pessoas muito jovens, e daí já se pode ver a confusão…
João Clá dizia também que Plinio era o “destruidor da Revolução” e que iria renovar a Igreja.
Afirmava que a “estrutura” (a hierarquia da Igreja) tinha cometido um grande pecado rejeitando ao “profeta da destra de Maria” (termo que ele usava muitas vezes para referir-se a Plinio.
Essas palavras e outras eu as ouvi desde 1991 até minha saída em 2013.
A partir da aprovação pontifícia dos Arautos do Evangelho, João Clá tomou um pouco mais de cuidado com seus pronunciamentos, mas sempre se pôde ouvir ensinamentos, como por exemplo:
“Quando eles se derem conta de quem aprovaram, será tarde demais…”
“Nós somos sacerdotes-escravos de Plinio…”
Era uma constante nas palavras de João Clá a afirmação de que devemos ser “escravos de Plinio Corrêa de Oliveira”.
Ele enfatizava de que a Consagração a Nossa Senhora, segundo o método de São Luiz Maria Grignon de Monfort tinha seu verdadeiro sentido na escravidão a Jesus e a Maria pelas mãos de Plinio.
João Clá e seus discípulos mais fervorosos promoviam cerimônias de louvor a Plinio e a Lucilia e aplicavam a eles diversas frases das Sagradas Escrituras, algumas até preocupantes, relacionando o “profeta Plinio” ao trecho de Ez 21,9-17 e terminava com um terrífico cântico que dizia: “Eis o gládio de meu senhor sacral (Plinio) gládio exterminador da Revolução, gládio da implacável destruição”.
João Clá promovia diversos retiros, normalmente segundo os moldes dos Retiros Espirituais de Santo Inácio. Mas, a parte que ele falava de Jesus era apenas os dias (ou meditações) preliminares, o resto, às vezes 3, 4, 5 dias ou mais era enfatizar as grandezas e promover a devoção a Plinio e a Lucilia.

Como me pediram para fazer um curto relato, foi encetando ao encerramento deste relato.
Mas, para dar apenas um exemplo sobre a promoção da devoção que os discípulos (alguns padres e outros leigos) promoviam, cito o caso de um rapaz que foi convidado a sair dos Arautos do Evangelho:
O Padre LA (da Sociedade de Vida Apostólica Virgo Flos Carmelli, Arauto) chama em uma sala a LB para conversar com ele e convidá-lo para sair dos Arautos e voltar para sua casa. O rapaz participava dos Arautos há 8 anos.
O pretexto para sua expulsão, foi ele ter tomado um garrafa long neck de cerveja, “sem autorização”!
Mas, na conversa o Padre LA expôs os verdadeiros motivos:
– JB, nós estamos percebendo que você não está feliz aqui, e que ademais você não acredita no profetismo do Pe. João Clá, nem em seu discernimento dos espíritos.
Para bom entendedor, poucas palavras bastam…

Minhas considerações:
No meu entender, se eles quiserem, eles são livres para fazerem o que quiser (sempre dentro da lei), ou seja, se eles quiserem ter devoção a Plinio, Lucilia, João, acreditar na vinda do “Reino de Maria”, serem escravos espirituais deles, ou seja, criarem uma seita ou religião particular, em resumidas contas o problema será deles!
Mas a questão é que eles fazem tudo isso e se autoproclamam os grandes católicos, defensores da ortodoxia, profetas, increpadores.
Diante do público geral, mostram a face doce e meiga de evangelizadores, mas internamente dizem que todos estão em pecado e são “filhos das trevas” e eles são os “filhos da luz”.
Afirmam-se católicos dentre outros motivos para angariar dinheiro, sem o qual não conseguiriam viver no luxo extremo que desejam.
Ouvi diversas vezes, em momentos de vida interna e mesmo de reuniões, críticas muito fortes contra bispos. Os mesmos bispos comentados quando em visita aos Arautos, eram louvados e elogiados, porém, quando ele ia embora…
Enfim, os Arautos se dizem católicos, mas suas práticas internas e doutrinas, muitas vezes não condizem com isso.
Há elementos católicos lá dentro, mas estão viciados… precisam de uma reforma, para ver o que dali existe de realmente católico. Mas minha opinião é que eles estão mais para um grupo cristão-esotérico do que de católicos.
É um problema para a Igreja analisar e resolver!
É um assunto urgente a ser resolvido, pois nesse problema estão inseridas muitas pessoas que se deixam atrair pelo verniz católico dos Arautos.
São muitos jovens de ambos os sexos e um grande número de famílias que estão “encantados” pelo flautista de Hamelin, que na verdade é um lobo em pele de ovelha.
Antônio Silva